Existem lugares e passagens que são extremamente significativas para os Missionários Redentoristas, lugares que se ligam à vida, à história de Santo Afonso, bem como aqueles que são relacionados ao nascimento, primeiro desenvolvimento e expansão da Congregação.
Scala, por exemplo, cidadezinha encravada na montanha acima da Costa Amalfitana, tem um paralelo com a cidade de Belém da Judeia. Se Belém viu nascer o divino salvador, Scala foi o berço da nascente congregação.
A cidade de Nápoles é outra continuando a ser um marco na vida da Congregação, pois dali saiu Afonso que, num supremo ato de desapego do mundo, abandonou tudo e seguiu os caminhos para os quais Deus o chamara.
Não podemos pensar em Nápoles sem olhar para o alto, enxergando ao longe o Monte Vesúvio, onde um poderoso vulcão jaz adormecido, esperando que assim continue para sempre. O Vesúvio marca a história do sul da Itália, a história de Nápoles e da Congregação.
Poderosa força da natureza
Um vulcão é definido como uma abertura na crosta da terra, como se fosse uma chaminé, por onde vez ou outra escapam magma, gases e cinzas vindos do interior do planeta. O calor profundo que existe no interior da terra provoca o derretimento das rochas, formando o magma, rocha líquida e muito quente.
Como o magma é mais leve que as rochas sólidas existentes ao seu redor, ele tende a subir. Quando a pressão de gases e magma fica muito forte ocorre então a erupção, que é a saída desse material para a superfície como uma explosão. Ao chegar ao ar livre, o magma passa a se chamar lava e os jatos de material incandescente podem alcançar quilômetros de altura.
Em geral o cone do vulcão dá origem a uma montanha formada pelo material expelido do interior da terra e que vai se acumulando, dando esse formato ao redor da abertura ao longo de muito tempo. Foi o que aconteceu com o Vesúvio.
Na atualidade existem cerca de 1,5 mil vulcões potencialmente ativos no mundo, mas desse número, nem todos entram em erupção ao mesmo tempo. Em nosso planeta são cerca de 40 a 60 vulcões que entram em erupção a cada ano.
Alguns vulcões ainda podem acordar no futuro, como é o caso do Vesúvio; outros estão parados há milhares de anos e não têm mais chance de entrar em erupção. A cidade de Poços de Caldas (MG), por exemplo, cresceu sobre um vulcão inativo e sua caldeira tem mais de 80 milhões de anos.
Alguns países como Estados Unidos, Japão, Indonésia, Rússia e Chile concentram a maior quantidade de vulcões, a maioria dos quais fica no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma área com muita atividade sísmica.
Vila de Pompéia com o Monte Vesúvio ao fundo
O Vesúvio e sua história
O Monte Vesúvio é um imponente vulcão que existe na Baía de Nápoles, na Itália, com 1.281 metros de altura. Chamado de estratovulcão, cresceu ao longo do tempo em camadas de lava endurecida e cinzas.
Situado a cerca de 9 quilômetros a leste da atual cidade de Nápoles, oferece uma vista panorâmica de toda a região costeira, inclusive do Colle Sant’Afonso, que também é chamado de Torre del Grecco.
Atualmente o Vesúvio está adormecido, como que em repouso, mas continua ativo; sua última erupção aconteceu em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.
O vulcão ficou mais conhecido pela devastadora erupção acontecida no ano 79 d.C. que soterrou completamente as cidades romanas de Pompeia e Herculano.
As duas cidades hoje formam um sítio arqueológico que pode ser visitado. Perto de lá está o Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, fundado por Bartolo Longo, também oblato redentorista.
Ele é vigiado 24 horas por dia por cientistas e equipamentos instalados devido aos milhões de moradores que vivem ao seu redor.
De Santo Afonso ao Colle Sant’Afonso
No dia 10 de agosto de 1779, o Vesúvio entrou numa fase de forte atividade, ameaçando toda a região de Nápoles, caso entrasse em erupção. Naquele tempo a cidade de Nápoles tinha por volta de 250 mil habitantes, população que quase dobrava contando as pequenas cidades e vilas da região.
Idoso e debilitado, Santo Afonso havia deixado a diocese de Santa Ágata, morando de novo no convento de Pagani, periferia da cidade. Diante do pânico geral e do risco iminente, com muita dificuldade ele foi levado até uma janela voltada para o vulcão que foi preservada e existe até hoje no convento redentorista.
Fazendo o sinal da cruz, abençoou o Vesúvio, que imediatamente se acalmou, cessando sua atividade, para alívio da população.
Esse episódio da intervenção milagrosa na natureza foi registrado e apresentado oficialmente na documentação necessária no processo de canonização de Santo Afonso.
Pintura retrata o momento da bênção do Vesúvio feita por Santo Afonso
Hoje no alto de uma colina secundária ao Vesúvio existe um convento, antes propriedade dos monges camaldulenses e uma igreja dedicada a São Miguel Arcanjo, que sempre foram poupados dos estragos provocados pela erupção do Vesúvio.
No lugar, inicialmente havia uma construção chamada de "Lazaretto” que acolhia as pessoas afetadas por doenças contagiosas.
Com a chegada dos monges a igreja se transformou num local de peregrinação, uma vez que São Miguel, a exemplo do grande santuário que existe no Monte Gargano, na região da Puglia, é muito querido em toda a Itália.
Ao longo dos tempos a construção passou por inúmeras modificações e na Segunda Guerra chegou a ser ocupada pelo exército alemão que dali podia avistar a chegada dos inimigos. Passada a guerra o monte, a casa e a igreja recuperaram sua histórica função.
Em 1954, com a saída dos monges camaldulenses, a Congregação Redentorista adquiriu a propriedade que se tornou primeiro uma casa de formação para os seus estudantes, se transformando depois em casa de hospedagem, retiros e encontros.
Todos os que utilizam suas instalações se encantam com a rica natureza, o ar puro e com o silêncio que o recanto proporciona, além de poder apreciar o encantador pôr do sol que a posição do monte pode proporcionar.
Leia também: A casa onde Santo Afonso nasceu
Fonte: Instituto Histórico Redentorista
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