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Sagrada Congregação “De Propaganda Fide” e os Redentoristas

Influência de um cardeal redentorista na organização missionária da Igreja em todo o mundo

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

21 NOV 2022 - 13H20 (Atualizada em 21 NOV 2022 - 15H27)

Scala News

A Igreja está celebrando os 400 anos de criação da Sagrada Congregação “De Propaganda Fide”, a Sagrada Congregação para a Propagação da Fé, hoje chamada de Sagrada Congregação para a Evangelização dos Povos. 

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Cardeal concentrou a coordenação dos esforços missionários da Igreja em Roma

Este organismo integra os dicastérios da Cúria Romana que assessora o Papa nos cuidados com a atividade missionária da Igreja, sendo fundada em 1622. Um redentorista, cardeal Willem (Guilherme) Marinus van Rossum, nascido em 1854 e falecido em 1932, foi o seu prefeito de 12 de março de 1918 a 30 de agosto de 1932.

Ele foi nomeado pelo Papa Bento XV, o mesmo que publicou a Encíclica Maximum Illud em novembro de 1919, sobre a Ação Missionária da Igreja, com a finalidade de promover as Igrejas locais, sob a coordenação de um episcopado autônomo e nativo.

Com esta encíclica, o esforço missionário da Igreja volta-se para a criação de um clero nativo em terras que até então dependiam quase que exclusivamente dos missionários enviados por outros países, sobretudo, da Europa.

Esta medida de fortalecimento das igrejas locais foi de grande sabedoria, porque a partir da metade do século XIX, as diversas formas de presença missionária da Igreja em países de missão, deixaram-se contaminar pelo desejo de dominação da política colonial, e ligadas ao nacionalismo, prejudicaram bastante a Ação Missionária da Igreja.

Naquele tempo, chegou-se ao extremo de algumas congregações religiosas não incentivarem a constituição de um clero nativo no país ou região onde atuava, por julgarem as pessoas incapacitadas para a vocação, contando sempre que precisava com os reforços vindos da província mãe na Europa.

Infelizmente, a partir de 1914 o mundo passou a viver a Primeira Guerra Mundial, que complicou bastante e tantos males provocou na Ação Missionária da Igreja.

Biografia

Willem Marinus van Rossum nasceu em Zwolle, Holanda, em 03 de outubro de 1854. Ele fez os votos como Redentorista em 16 de junho de 1874. Foi ordenado sacerdote em 17 de outubro de 1879, sendo nomeado como professor no juvenato e também no estudantado provincial da Holanda.

Em 1900, foi convocado a Roma, onde colecionou um grande currículo eclesiástico, sendo nomeado Consultor para o Santo Ofício e membro da comissão recém-formada para a codificação do Direito Canônico. Em 1909, foi eleito Conselheiro do Padre Patrick Murray, Superior Geral.

No dia 27 de novembro de 1911 o Papa Pio X tornou-o cardeal (sem ordenação episcopal, mas como Cardeal-diácono, titular da Igreja San Caesareo in Palatio), sendo o primeiro cardeal holandês desde a Reforma Protestante, tendo participado no Conclave de 1914, que elegeu o Papa Bento XV.

Em 12 de março de 1918 o Papa Bento nomeou-o Prefeito da Sagrada Congregação para a Propagação da Fé.

Após a morte do Papa Bento, o Cardeal van Rossum participou no Conclave de 1922, que elegeu o Papa Pio XI. Durante este pontificado, o Cardeal van Rossum, como Prefeito da Sagrada Congregação de Propagandae Fide, exerceu uma importante influência sobre a política Papal para as missões. Ele também foi membro de outras Congregações e Comissões do Vaticano, autor de obras sobre a teologia moral e Direito Canônico. Falecendo em Maastricht, Holanda, em 30 de agosto de 1932, onde está sepultado na Igreja redentorista.

A serviço da inculturação da fé e da organização missionária da Igreja Leia MaisMissionários Redentoristas em terras de missão: Sul da AlbâniaAcontecimento histórico: a primeira missão redentorista na LituâniaRedentoristas da Indonésia evangelizam pela pregação das missões paroquiais

Num contexto de superação dos nacionalismos é que entra de cheio a figura do cardeal Van Rossun, tendente ao incentivo daquilo que hoje conhecemos como inculturação. Ele gostava de ouvir os testemunhos e as histórias contadas pelos missionários vindos das terras de missão, e com elas pôde reelaborar a metodologia missionária tradicional, aplicando a ela a velha metodologia já descrita no Livro dos Atos dos Apóstolos.

Devido a amplitude de sua ação junto ao Papa, chegou a ser conhecido como “o papa vermelho” por causa de sua influência e clareza de princípios na atuação.

Ele concentrou a coordenação dos esforços missionários da Igreja em Roma, fugindo dos diversos nacionalismos e de seu influxo sobre a propagação da fé católica.

Apesar de ter uma visão conservadora da doutrina da Igreja, soube fazer as adaptações necessárias, ajudando na criação de uma hierarquia formada por bispos nativos de cada região, porque sua prioridade era a formação de um clero local. Com isso permitiu a organização da Igreja nos diversos continentes periféricos do mundo, possibilitando que a Igreja resistisse aos anos cruéis da Primeira e da Segunda Guerra Mundiais.

Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R,
Diretor da Rádio Aparecida 

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