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Rei Carlos de Nápoles e as mudanças no tempo de Santo Afonso

Como representante da dinastia dos bourbons, ações reais moldaram o destino do fundador da Congregação Redentorista e de sua família

Escrito por Redentoristas

17 ABR 2026 - 16H44

Divulgação

Nas veias de Carlos de Bourbon, nascido em Madri em 20 de janeiro de 1716, corria sangue meio francês e metade emiliano.

Como filho do francês Filipe V, Rei da Espanha e neto do Rei Sol, Luis XIV e de sua segunda esposa Elisabetta Farnese, a última descendente direta da casa que governou o Ducado de Parma e Piacenza por dois séculos, ele herdou o título após a morte sem filhos do último duque da família.

Mas sua mãe tinha outras ambições para o filho, incluindo a ideia de "redimir os povos de Nápoles e Sicília da violência, opressão e tirania exercidas pelo governo alemães" que, segundo os acordos estipulados com a Paz de Utrecht de 1713, administrava o Vice-Reino de Nápoles e Sicília em nome dos Habsburgos.

Impulsionado pela emoção do feito que estava prestes a realizar, o jovem Carlos, de 19 anos, mudou-se, colocando-se à frente de seu exército, de Parma para o sul da Itália, para reconquistar esses territórios que a Espanha havia perdido para a Áustria, sendo recebido com entusiasmo pelas populações que encontrou pelo caminho, ansiosas para se livrar dos sufocantes impostos austríacos.

Uma era de restauração e de mudanças estruturais

A entrada de Carlos em Nápoles no início de maio de 1734, cidade da qual os austríacos haviam se retirado sem disparar um único tiro, foi um triunfo que deixou os "lazzaroni" felizes por terem encontrado seu soberano. Sua entrada na fervilhante Nápoles aconteceu apenas dois anos após a fundação da Congregação Redentorista em Scala.

Cinco dias depois, um mensageiro de Madri chegou à cidade, trazendo o diploma com o qual Filipe V sancionava a cessão do Reino de Nápoles a seu filho que, após mais de 200 anos, voltava a ser um estado formalmente independente.

Carlos mereceu esse presente no campo de batalha, derrotando o exército austríaco perto de Bitonto no dia 24 de maio daquele mesmo ano, e forçando-o a abandonar para sempre o sul da península itálica. Para concluir a empreitada, porém, restava reconquistar a Sicília, onde os austríacos ainda resistiam.

.:: Memória da aprovação das Regras e Constituições Redentoristas 

Já na Sicília, foi conduzido pelo príncipe Ruffo da Calábria para o outro lado do Estreito de Messina, a fim de realizar a mesma marcha triunfal, até a cerimônia solene que, em 3 de julho de 1735, na Catedral de Palermo, o veria solenemente coroado como Carlos III, "Rex Utriusque Siciliae".

Em seu governo, Carlos destacou-se pelo zelo e pela constância no trabalho de reforma, sobrepondo as instituições asfixiantes de um Estado que estava há muito tempo paralisado, renovando as instituições desde os alicerces.

Reformas legislativas, legais, fiscais e administrativas foram se sucedendo rapidamente, acompanhadas por um grande impulso no desenvolvimento comercial e da indústria.

As "Fábricas Reais" de tapeçarias, porcelana (Capodimonte), maiólica (Caserta) e pedras semipreciosas são algumas das indústrias que por décadas representaram a qualidade do "Made in Nápoles" não apenas em nível italiano, mas também europeu.

Seu "Real Conservatório" formou excelentes compositores como Domenico Scarlatti e Nicola Porpora, que deram vida à "Escola de Música Napolitana".

Uma série de obras de arte e edifícios embelezaram rapidamente o Reino, entre os quais destacam-se o Teatro de San Carlo e os Regimentos de Portici, Capodimonte e Carditello, terminando com o "Versalhes italiano": o Palácio Real de Caserta, com seus esplêndidos jardins.

Chamado de volta a Madri, em 1759, para ser coroado rei da Espanha após a morte, sem herdeiros, de seu meio-irmão Fernando VI, mesmo nessa função, Carlos provaria ser um estadista moderno em sintonia com os tempos, sem dúvida o melhor fruto do ramo hispânico da Casa de Bourbon.

Claro que as mudanças impostas mexeram com privilégios e posições conquistadas há séculos, sobretudo, pelas famílias da nobreza, que resistiram às mudanças.

Anselmo Pagani

.:: A divisão da Congregação do Santíssimo Redentor no século XVIII ::.

Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.

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