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Santo Afonso: 17º Doutor da Igreja e defensor da fé cristã

Proclamação do fundador da Congregação Redentorista como Doutor da Igreja em 1871 celebrou sua contribuição teológica, defesa da fé e impacto universal na Igreja

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

19 MAR 2026 - 08H57

Instituto Histórico Redentorista

Em 1871, a Sagrada Congregação dos Ritos concedia a Santo Afonso Maria de Ligório o título de Doutor da Igreja, Doutor Zelosíssimo, sendo o 17º Doutor na história. No dia 23 de março de 1871, um escrito do Papa Pio IX aprovou e confirmou esta decisão. A nomeação foi conferida solenemente no dia 7 de julho daquele mesmo ano.

As primeiras petições dirigidas à Santa Sé solicitando que fosse concedido o título de Doutor da Igreja a Santo Afonso são do mesmo dia de sua solene canonização, 26 de maio de 1839, ou seja, apenas 50 anos após sua morte.

Os pedidos que haviam sido aceitos, mas devido às complicações do contexto político da Itália, graças à revolução que atingiu vários países da Europa em 1848, somente puderam ser retomados em 1867.

O trabalho preparatório e o desenvolvimento do Concílio Vaticano I, realizado em 1869/1870 absorveram as atividades das Sagradas Congregações Romanas (Dicastérios) bloqueando forçadamente o progresso desse e de outros processos de outras naturezas que já estavam em curso.

Somente em 1870, após o término do Concílio, que também teve o seu encerramento precipitado por causa da guerra que levou à tomada da cidade de Roma, no processo de Unificação italiana, os cardeais puderam retomar o exame dessa importante questão.

Certeza comprovada leva à declaração

Todos os procedimentos necessários como parte do processo de declaração foram realizados com o rigor que os formulários exigiam. Como previam as leis, a causa que estava sendo estudada foi apoiada no exame contraditório pelo Promotor da Fé, pelo Defensor da Causa e pelos teólogos que a Sagrada Congregação dos Ritos designou de antemão para esse fim.

Para se ter uma ideia do debate, dos exames e das certificações que surgiram desse julgamento, basta observar que o volume contendo os anais do julgamento ultrapassa 900 páginas.

Os Cardeais da Sagrada Congregação dos Ritos se reuniram nas sessões do dia 11 de março de 1871 e depois no dia 23 do mesmo mês, emitindo por unanimidade um julgamento favorável que a declaração de Doutor da Igreja fosse concedida ao fundador dos Missionários Redentoristas.

Sua Santidade o Papa Pio IX, mesmo estando em condições delicadas, considerando-se “um prisioneiro no Vaticano”, uma vez que a maioria das propriedades da Igreja havia sido confiscadas no processo de Unificação, estando à frente do órgão supremo da verdade, aprovou e confirmou, num “Decreto Urbi et Orbi”, essa importante declaração que diz respeito não apenas aos redentoristas, mas à toda a Igreja no mais alto nível.

É interessante observar que Santo Tomás de Aquino e São Boaventura foram declarados Doutores da Igreja cerca de trezentos anos depois de sua morte e que Santo Afonso assim foi declarado 84 anos depois.

Além disso, enquanto que para muitos Doutores da Igreja se passaram oito, dez, treze e até quinze séculos para serem honrados com esse título ilustre, Santo Afonso foi proclamado no mesmo século de sua preciosa morte. (Obra Dogmática de Dujardin, vol. VII, pp.477-478).

O mesmo se pode observar em relação a Santo Agostinho que, em vez de ser considerado pelo fato de ter sido o fundador de uma ordem religiosa, foi levado mais em consideração pelo fato de ter sido um legislador que deixou as regras monásticas posteriormente adotadas por várias famílias religiosas.

Ele se tornou o único fundador propriamente dito elevado à eminente dignidade de Doutor da Igreja devido à sua contribuição para a defesa da fé e esclarecimento da doutrina cristã graças às mais de 125 obras que deixou, hoje traduzidas em mais de 70 línguas e com mais de 21 mil edições.

Com a solene declaração do Papa Pio IX, Santo Afonso se tornou o 17º Doutor da Igreja. Até 2025, a Igreja já havia dignificado 34 homens e 04 mulheres com esta declaração. O último a ser assim declarado foi São Henry Newman que se tornou Doutor da Igreja no dia primeiro de novembro de 2025, com a proclamação feita pelo Papa Leão XIV.

Homens e mulheres reconhecidos pela sua santidade, pela eminência de sua doutrina e contribuição teológica ajudam a engrandecer e a dignificar a vocação de cada cristão que também é chamado a ser um porta-voz de Jesus Cristo, na condição de discípulo missionário que é, vocação assumida em seu batismo.

.:: A devoção de Santo Afonso Maria de Ligório a São José ::.

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