O Altar Central do Santuário Nacional de Aparecida é o lugar onde as principais celebrações eucarísticas são realizadas e onde o clero e toda a assembleia se reúne ao seu redor para presenciar o Mistério da Salvação.
A obra do Altar Central foi entregue no dia 21 de julho de 2002, em uma cerimônia de sagração do novo altar presidida pelo então arcebispo de Aparecida, o cardeal Dom Aloísio Lorscheider, e contou com a presença de cerca de 10 mil devotos.
O projeto do Altar Central foi idealizado e executado pelo artista sacro Cláudio Pastro falecido em 2016. O altar, a cruz e o piso são obras assinados pelo artista.

O altar é o lugar mais importante de uma igreja, pois é onde se celebra o grande Mistério da Eucaristia, Jesus que se une com toda a Sua Igreja no sacrifício do Altar.
O altar do Santuário Nacional é feito em pedra granito única, simbolizando Jesus, a pedra fundamental da nossa fé. Ele mede 1,70m x 1,70m e pesa 3 toneladas e meia. As cores utilizadas foram vermelho-brasílica e rosa-goiás.
Ao redor de todo o presbitério, os pisos representam o movimento das águas e valorizam a arte indígena.
Rodrigo Lemos, monitor cultural do Santuário Nacional, explica que a simbologia dos pisos que revestem o Altar Central da Casa da Mãe, está relacionada ao profeta Ezequiel:
“O significado dos pisos do Altar é belíssimo. Esse zigue-zague em torno do presbitério do Altar é o movimento das águas, das ondas de um lago. O mais interessante é que Cláudio Pastro, que é o artista que ornamentou grande parte do Santuário Nacional, utiliza um pouco da cultura indígena, e esse tracejado é uma forma indígena marajoara da representação das ondas de um lago.”
Alguns devem se perguntar o porquê dos desenhos representarem um lago, já que o Altar de uma Igreja deveria representar Cristo.
“De fato, o Altar é como se fosse uma pedra lançada no lago. Cláudio Pastro fala do Cristo que desce do céu para se fazer presente no meio de nós. Assim como nós jogamos uma pedra no meio do lago, onde a pedra cai, vai formando ondas ao seu redor. Aqui no Santuário, nós percebemos nos quatro lados principais as ondas que vão se espalhando, espalhando o amor de Deus, que é emanado aos quatro cantos do mundo”.
O Altar Central possui quatro lados iguais pelo formato arquitetônico do Santuário ser em Cruz, com o significado de que todos somos iguais, independente do lugar da Basílica em que estejam sentados.
Padre Valdivino Guimarães, C.Ss.R., que é doutor em teologia e defendeu tese sobre a arte de Cláudio Pastro, lembra que o artista sempre concebeu os altares a partir da verdade acenada por São Cirilo de que o “Altar é Cristo”.
Interpretações são criadas diante do que é enxergado pelo fiel, mas é preciso cuidado para não serem tomadas como “verdades” que podem deturpar a concepção real do artista.
“Arte sacra não é pra ser fantasiada, é o que é. Mas é claro que pode levar as pessoas a interpretações diversas. Porém, deve ser aceito que ele foi concebido de uma forma e não carece de interpretações errôneas”, completa o padre.
Erguida acima do altar, a chamada Cruz do Nada possui 8 metros de altura e é toda vazada a laser. A figura vazada de Cristo indica o espaço vazio como o lugar da presença do Invisível em nosso meio.
Junto ao Altar Central, duas grandiosas obras foram idealizadas pelo mesmo artista e inauguradas em 2017, durante as comemorações do Jubileu dos 300 anos, o Baldaquino e a Cúpula Central.
No Altar Central o desenho no piso como que representam ondas que vão espalhando o amor de Deus ao seu redor.
Na ocasião da inauguração do Altar Central, o primeiro Livro dos Devotos foi colocado sob o altar, contendo os nomes daqueles que colaboraram com a obra como uma forma de gratidão.
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