O Santuário Nacional de Aparecida recebeu milhares de peregrinos na manhã deste domingo, 31 de maio, para a celebração da Solenidade da Santíssima Trindade. A Santa Missa marcou também o encerramento do 16º Simpósio Nacional das Famílias, reunindo representantes da Pastoral Familiar, bispos, sacerdotes, diáconos e famílias vindas de diversas regiões do país.
Presidida pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio da Silva, a celebração contou ainda com a concelebração de Dom Bruno Eliseu Versari, bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e Família da CNBB; Dom Tarcísio Nascentes dos Santos, bispo de Duque de Caxias (RJ); Dom Carlos José de Oliveira, bispo de Apucarana (PR); Dom Moacir Silva Arantes, bispo de Barreiras (BA); Dom Tiago Stanislau, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ); e Dom Rogério Augusto das Neves, bispo auxiliar de São Paulo (SP).
Logo no início da celebração, o misionário redentorista padre Mauro Vilela, C.Ss.R., Diretor de Produção da TV Aparecida, recordou que a festa da Santíssima Trindade convida os cristãos a contemplarem um Deus que é comunhão e amor.
Ao agradecer pelos dias de reflexão vividos durante o simpósio, o sacerdote pediu que tudo aquilo que foi partilhado se transforme em gestos concretos dentro dos lares:
"Que tudo o que foi refletido e partilhado se transforme em cuidado concreto, diálogo paciente, perdão possível, ternura diária e esperança renovada dentro de cada casa."
Ele lembrou também que todas as famílias têm lugar no coração de Deus:
"Famílias que agradecem e famílias que pedem socorro, famílias que celebram e famílias que choram, famílias que permanecem firmes e famílias que tentam recomeçar. Todas cabem no coração de Deus."
Na homilia, o Arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio da Silva, refletiu sobre o mistério da Santíssima Trindade como fonte de inspiração para a convivência humana.
Partindo de um gesto simples e cotidiano para os católicos, o bispo recordou que cada sinal da cruz é uma profissão de fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo.
Segundo ele, celebrar a Trindade significa assumir um compromisso concreto com a comunhão:
"Quando rezarmos Glória ao Pai ou fizermos o sinal da cruz, qual é o nosso compromisso? União, comunhão, paz, perdão, misericórdia e muito amor."
Dom Mário também destacou que o domingo, Dia do Senhor, deve ser vivido como um tempo privilegiado para fortalecer os laços familiares e comunitários. De forma espontânea, provocou os fiéis a refletirem sobre suas atitudes:
"No domingo, ninguém deveria brigar com ninguém. No domingo, ninguém deveria nem xingar nem fazer fofoca do outro."
A proposta, explicou, não vale apenas para um dia da semana, mas para toda a vida cristã.
Ao comentar a Primeira Leitura (Ex 34,4b-6.8-9), Dom Mário comparou a subida de Moisés ao Monte Sinai à experiência dos romeiros que peregrinam até a Casa da Mãe Aparecida.
Assim como Moisés partiu de madrugada para encontrar-se com Deus, milhares de peregrinos deixam suas casas todos os anos movidos pela fé.
"O Monte Sinai para nós é o Santuário de Nossa Senhora Aparecida", afirmou.
A reflexão destacou ainda a imagem de Deus revelada a Moisés: um Deus misericordioso, paciente, bondoso e fiel. Essa mesma experiência, segundo o celebrante, continua sendo vivida por quem se aproxima de Deus com coração sincero e humilde.
Inspirado na Segunda Leitura da liturgia de hoje (2Cor 13,11-13), Dom Mário retomou as recomendações de São Paulo aos cristãos de Corinto: alegrai-vos, aperfeiçoai-vos, encorajai-vos mutuamente, cultivai a concórdia e vivei em paz.
O bispo ressaltou que a paz começa dentro de cada pessoa e se estende à família, à comunidade e à sociedade.
Recordando as orações pela paz promovidas pela Igreja, reforçou que os conflitos, as rivalidades e os sentimentos de vingança nunca conduzem à verdadeira tranquilidade. Em um ano marcado pelo debate político no país, dirigiu um apelo especial aos fiéis:
“Vivamos em paz. Na comunidade, na Igreja, na família e na vida social.”
Dom Mário Antonio da Silva, Arcebispo Metropolitano de Aparecida
A mensagem reforçou a necessidade de preservar o respeito mútuo, mesmo diante das diferenças de opinião.
Ao comentar o Evangelho da Solenidade (Jo 3,16-18), Dom Mário destacou uma das passagens mais conhecidas da Sagrada Escritura:
"Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito."
Para o arcebispo, essa verdade resume o coração da fé cristã: Deus não deseja condenar a humanidade, mas oferecer-lhe a salvação por meio de Jesus Cristo. A partir dessa certeza, os cristãos são convidados a renovar sua confiança em Deus e a viver como testemunhas de seu amor.
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Ao final da Santa Missa, Dom Bruno Eliseu Versari, presidente da Comissão Episcopal para a Vida e Família da CNBB, agradeceu a participação das famílias no simpósio e recordou marcos importantes da pastoral familiar da Igreja.
Ele destacou os 45 anos da exortação apostólica Familiaris Consortio e os 10 anos da Amoris Laetitia, documentos que continuam orientando a missão das famílias cristãs.
Retomando o tema do encontro, Dom Bruno incentivou os participantes: "Família, torna-te aquilo que és."
Segundo ele, é dentro do lar que os filhos fazem suas primeiras experiências de amor, de fé e de convivência com Deus. "A família é a primeira experiência de Igreja", recordou.
Encerrando o 16º Simpósio Nacional das Famílias, a celebração deixou uma mensagem clara: os lares cristãos são chamados a refletir o amor da Santíssima Trindade por meio da comunhão, do perdão, da misericórdia e da paz.
REVEJA A SANTA MISSA NA ÍNTEGRA:
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