Por Ir. André Luiz Oliveira, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 22 AGO 2018 - 08H20

Os títulos de Aparecida: Rainha

Poucos são os brasileiros – apesar de sua expressiva devoção – que conhecem os títulos eclesiásticos e civis concedidos a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, ao longo de seus 300 anos de história. Quero aqui discorrer, em uma série de três artigos, sobre três deles: Rainha, Padroeira e Generalíssima do Exército Brasileiro. Inicio com o título de maior popularidade, o de Rainha.


Coroa doada pela princesa Isabel quando estava em visita a Aparecida em 1868. Foto: CDM Santuário Nacional

Tendo se passado 15 anos após a proclamação da República (1889), ainda em um ambiente hostil aos ideais da monarquia, a pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida fora coroada em praça pública, em solene celebração, como Rainha do Brasil, no dia 08 de setembro de 1904. O pedido para tal ato fora encaminhado em 1903, pelo então Bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros. O pedido foi aceito pelo então Papa, São Pio X, que autorizou a coroação solene da imagem. A coroa usada no ato fora doada anos antes pela Princesa Isabel Cristina, que muito devotamente esteve por duas vezes em visita ao Santuário de Aparecida – hoje Basílica Velha – em agradecimento a uma graça alcançada, a maternidade. A Princesa Isabel e seu esposo, o Conde d’Eu, estiveram em Aparecida por duas vezes, em dezembro de 1868, quando ofertou um rico manto cravejado com 21 brilhantes, representando os 21 estados brasileiros à época e, posteriormente, em novembro de 1884, quando doou a riquíssima coroa de ouro cravejada de brilhantes, pesando 300 gramas.

Leia MaisMaria: Mãe, Rainha e ServidoraNa ocasião de uma de suas visitas, foram libertos alguns escravos, gesto que prefigurou a Lei Áurea, que em 1888 abolia do Brasil a escravidão. O ato de coroação ocorreu durante o mandato presidencial de Rodrigues Alves, que, não podendo se fazer presente, enviou um telegrama apresentando suas “respeitosas homenagens”. Havia ainda, no Brasil da recém-proclamada República, muitos monarquistas que desejavam o regresso do sistema, crendo ser essa a forma de governo da gênese brasileira – aqui faça-se notar uma proposital ausência por parte do Presidente da República, por ser contraditório um Presidente submeter-se a uma Rainha. Muitos foram os que acorreram à pequena cidade de Aparecida (SP) por ocasião da solene coroação, dada em clima festivo e de significativa emoção. Sobre o feliz dia da coroação, assim proferiu Mons. José Marcondes Homem de Mello: “A Virgem Aparecida estava coroada; nós todos acabávamos de presenciar a Coroação; éramos, pois, felizes”.

Ir. André Luiz Oliveira – Missionário Redentorista
Escritor, Teologando, Mariólogo, associado da Academia Marial.


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