O Papa Leão XIV confirmou que a Igreja terá um Consistório por ano. O próximo já tem data marcada para junho, às vésperas da Solenidade de São Pedro e São Paulo. A reunião terá dois dias e reunirá cardeais eleitores e não eleitores.
No discurso final do primeiro consistório convocado por ele, o Pontífice explicou que essa dinâmica segue o que foi pedido antes do Conclave, lembrou que este Consistório é uma “prefiguração do nosso caminho futuro” e reforçou a intenção de manter reuniões regulares, com três ou quatro dias de duração.
O Papa também confirmou a Assembleia Eclesial de outubro de 2028, já anunciada em março. O objetivo é dar continuidade ao processo de escuta e de missão da Igreja no mundo atual.
Leão XIV fez questão de agradecer a presença dos cardeais, em especial os mais idosos. “O testemunho de vocês é precioso”, disse. Ele também se dirigiu aos que não puderam ir a Roma: “Estamos com vocês e somos próximos de vocês”.
O clima do encontro foi descrito como de forte comunhão. O Papa falou de uma “sinodalidade não técnica” ditada por sintonia espiritual e partilha real entre os participantes. O Concílio Vaticano II foi lembrado como base desse caminho.
Durante os debates, os cardeais também voltaram o olhar para a realidade internacional. O Papa destacou que, diante de guerras e violências, a resposta da Igreja se torna “ainda mais urgente”, sobretudo em apoio às Igrejas locais que sofrem.
Entre os temas que tocaram os participantes, a situação da Venezuela ganhou destaque. O cardeal colombiano Luis José Rueda Aparicio recordou as palavras do Papa no Angelus de 4 de janeiro, quando Leão XIV falou de uma “paz que seja ao mesmo tempo desarmada e desarmante”, capaz de unir os povos e respeitar os direitos humanos.
Rueda resumiu o sentimento de seus colegas cardeais: a Venezuela é um tema que “trazemos no coração, nos entristece a todos”.
Os trabalhos do Consistório reuniram vinte grupos linguísticos. Cardeais de várias partes do mundo refletiram sobre sinodalidade e missão à luz da Evangelii gaudium, que continua atual para a vida da Igreja.
O cardeal sul-africano Stephen Brislin destacou que o encontro foi “muito enriquecedor”. Para ele, o novo Consistório em junho mostra que o Papa quer ouvir e contar com os cardeais. Rueda reforçou essa ideia ao afirmar: “Oito meses após o Conclave, o Papa quis nos convocar para nos ouvir”.
Já o cardeal das Filipinas, Pablo David, chamou atenção para a postura de Leão XIV durante as sessões: “Ele fazia anotações, estava muito atento”.
Questionados sobre as novidades do encontro, para Brislin, o principal não está apenas nos temas, mas na experiência de escuta mútua. O Papa, segundo ele, “quer ser colegial, quer ouvir”.
Rueda completou com uma frase que resume bem a vivência do Consistório: os cardeais trabalharam “em uma harmonia que não é uniformidade”.
Outro ponto que surgiu nas discussões foi o papel dos leigos e das mulheres. O cardeal David afirmou: “Como não reconhecer o papel das mulheres e seus ministérios na Igreja?”. Ele lembrou que o tema é uma preocupação constante e citou os estudos sobre o diaconato feminino.
O purpurado também criticou o clericalismo e retomou a visão do Vaticano II sobre o povo de Deus: “As pessoas têm o poder de participar da vida e da missão da Igreja”.
O Vaticano vive dias decisivos com o primeiro Consistório Extraordinário do Papa Leão XIV, que abre um novo capítulo no governo da Igreja. Cerca de 170 cardeais, vindos de todos os continentes, foram convocados para ajudar o Pontífice a definir as prioridades do seu pontificado.
Logo na abertura, o Papa deu o tom do encontro. Diante do Colégio Cardinalício, afirmou: “Estou aqui para ouvir”.
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O encontro começou na Sala Nova do Sínodo com uma meditação do cardeal dominicano Timothy Radcliffe. Inspirado no Evangelho da tempestade no mar (Mc 4,35-41), ele descreveu o mundo atual como um tempo de grandes abalos.
“A diferença entre ricos e pobres está cada vez maior. A ordem global nascida após a última guerra mundial está se desintegrando. Ainda não sabemos quais serão os resultados da Inteligência Artificial. Se ainda não estamos inquietos, deveríamos estar”, alertou.
Radcliffe lembrou que a própria Igreja também enfrenta suas tempestades diante de abusos e polarizações:
“O Senhor nos chama a navegar nessas tempestades e a enfrentá-las com verdade e coragem, sem ficar timidamente esperando na margem. Se fizermos isso neste Consistório, veremos Ele vir ao nosso encontro. Se, ao contrário, ficarmos escondidos na margem, não O encontraremos."
Na sequência, Leão XIV ofereceu a chave teológica do Consistório. Partindo da Lumen gentium, recordou que “a luz dos povos é Cristo”. A missão da Igreja nasce dessa luz que ilumina e atrai.
Para o Papa, os últimos pontificados ajudam a entender esse caminho. São Paulo VI e São João Paulo II destacaram a irradiação da fé. Bento XVI e Francisco sublinharam a atração.
“Na medida em que nos amamos uns aos outros como Cristo nos amou, somos seus, somos a sua comunidade e Ele através de nós pode continuar a atrair. Realmente, só o amor é credível, só o amor é digno de fé.”
Leão XIV também alertou que, apesar disso, a unidade atrai e a divisão dispersa. Por isso, pediu aos cardeais que cresçam em comunhão:
"Somos um grupo muito variado, enriquecido pelas nossas múltiplas proveniências, culturas, tradições eclesiais e sociais, percursos formativos e acadêmicos, experiências pastorais e, naturalmente, feitios e traços pessoais. Somos chamados, em primeiro lugar, a conhecer-nos e a dialogar para podermos trabalhar juntos ao serviço da Igreja. Espero que possamos crescer em comunhão para oferecer um modelo de colegialidade."
Este Consistório retoma o encontro que Leão XIV teve com os cardeais dois dias após sua eleição. Agora, porém, o objetivo é mais preciso. Quatro grandes eixos foram selecionados para os trabalhos:
• A missão da Igreja no mundo de hoje (Evangelii gaudium);
• O serviço da Cúria às Igrejas locais (Praedicate Evangelium);
• O Sínodo e a sinodalidade;
• A liturgia.
Por razões de tempo e profundidade, apenas dois temas foram escolhidos de acordo com os cardeais. A reflexão será guiada pela seguinte pergunta:
Olhando para o caminho dos próximos um ou dois anos, que atenções e prioridades poderiam orientar a ação do Santo Padre e da Cúria sobre a questão?
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Antes dos trabalhos, Leão XIV reforçou:
“Estou aqui para escutar. Como aprendemos durante as duas Assembleias do Sínodo dos Bispos de 2023 e 2024, a dinâmica sinodal implica, por excelência, a escuta. Cada momento deste tipo é uma oportunidade para aprofundar o nosso comum apreço pela sinodalidade.”
Os trabalhos seguiram no Auditório Paulo VI. Vinte grupos, organizados por idioma, sentaram-se em torno de mesas circulares. Cada cardeal tinha cerca de três minutos para falar, no mesmo modelo dos recentes Sínodos.
Após a sessão introdutória, veio o resultado. Por ampla maioria, os cardeais escolheram dois temas para refletir nestes dois dias de trabalho: “Sínodo e sinodalidade” e “Evangelização e espírito missionário na Igreja à luz da Evangelii gaudium” como os temas sobre os quais refletir nestes dois dias de trabalho.
Segundo Matteo Bruni, porta-voz da Santa Sé, isso não significa descartar os outros pontos.
“Um tema não exclui o outro”, explicou. “O Papa recebeu indicações de uma urgência ou da necessidade percebida de alguns temas. E será também possível encontrar uma maneira de abordá-los dentro dos outros”.
Leão XIV acompanhou apenas a parte final dos trabalhos em grupo, voltou para ouvir os relatos e, ao encerrar o dia, deixou uma frase que determina esse Consistório:
“Sinto a necessidade de poder contar com vocês.”
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O segundo dia começou com a Missa no Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro. Na homilia, o Papa explicou ao Colégio Cardinalício que Consistorium significa “assembleia”, mas também “parar” por meio do verbo “consistere”.
"Efetivamente, todos nós 'paramos' para estar aqui: interrompemos por algum tempo as nossas atividades e renunciamos a compromissos importantes, para nos reunirmos e discernirmos o que o Senhor nos pede para o bem do seu Povo".
Para o Santo Padre, é preciso parar para rezar, ouvir, refletir e, assim, voltar a focar cada vez melhor a meta.
“Na verdade, não estamos aqui para promover ‘agendas’ – pessoais ou de grupo –, mas para confiar os nossos projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que nos ultrapassa.”
Leão XIV também redefiniu o papel do Colégio Cardinalício:
"O nosso Colégio, embora rico de tantas competências e dotes notáveis, na verdade, não é chamado a ser, em primeiro lugar, uma equipe de especialistas, mas uma comunidade de fé, na qual os dons que cada um traz, oferecidos ao Senhor e por Ele restituídos, produzam, segundo a sua Providência, o máximo fruto".
Diante de uma humanidade “faminta de bem e de paz”, os cardeais são chamados a ajudar o Papa a encontrar os “cinco pães e dois peixes” que Deus sempre oferece ao seu povo.
“Assim deve ser vivido este Consistório, como um grande ato de amor a Deus, à Igreja e aos homens e mulheres de todo o mundo, para se deixar moldar pelo Espírito. Primeiro, na oração e no silêncio, mas também olhando-se nos olhos, ouvindo-se reciprocamente e dando voz, através da partilha, a todos aqueles que o Senhor confiou, nas mais diversas partes do mundo, aos cuidados dos Pastores”.
Após ouvir os relatórios dos grupos linguísticos na Sala Paulo VI, o Papa fez um discurso espontâneo, agradeceu a escolha dos dois temas centrais e voltou a pedir o apoio direto do Colégio Cardinalício.
“Agradeço a escolha; os outros temas não devem ser negligenciados. Há questões muito concretas e específicas que ainda precisamos abordar”.
Leão XIV falou com franqueza de que foi o próprio Colégio Cardinalício que o elegeu e, por isso, pede uma corresponsabilidade real:
“Sinto, vivencio a necessidade de poder contar com vocês: foram vocês que chamaram este servo para esta missão! Assim, gostaria de dizer que considero importante trabalharmos juntos, discernirmos juntos, buscarmos o que o Espírito nos pede.”
O Papa não participou diretamente dos debates em grupo e preferiu ouvir os relatos na sessão plenária. Nove secretários, representantes das mesas compostas por cardeais das Igrejas locais, tiveram três minutos para explicar as escolhas feitas. Ao final, Leão XIV destacou que as duas prioridades estão ligadas.
“Um tema não pode ser separado do outro. Queremos ser uma Igreja que não olha apenas para si mesma, que é missionária, que olha além, para os outros.”
O Papa fez questão de recordar o núcleo da fé cristã. Para ele, a Igreja não existe para si; a sua razão de ser, disse, não é para os cardeais, nem para os bispos, nem para o clero, mas para “anunciar o Evangelho”.
Por isso, explicou o sentido das escolhas feitas: o Sínodo e a sinodalidade expressam a busca por uma Igreja missionária no mundo atual. Já a Evangelii Gaudium aponta para o centro da fé:
“Anunciar o querigma, o Evangelho com Cristo no centro. Esta é a nossa missão.”
Ele também pediu que os cardeais se sintam livres para dialogar. O Consistório, afirmou, deve criar um clima de confiança e escuta.
Leão XIV retomou uma frase ouvida de um dos secretários: o caminho importa tanto quanto a conclusão. Essa experiência de colegialidade, disse, é um testemunho para a Igreja e para o mundo, um sinal de que vale a pena sair de casa, cruzar continentes e sentar-se juntos para discernir.
Segundo o Santo Padre, todo esse caminho importa para buscar “o que o Espírito Santo quer para a Igreja hoje e amanhã”. Mesmo com um tempo curto, o Papa destacou que este momento é decisivo também para ele.
Na parte final de sua fala, Leão XIV retomou uma pergunta feita na Missa da Epifania: “Perguntemo-nos: há vida em nossa Igreja?” e respondeu com esperança:
"Estou convencido de que sim, certamente. Nestes meses, mesmo que eu não os tivesse vivido antes, certamente tive muitas experiências belíssimas da vida da Igreja. Mas a pergunta permanece: há vida em nossa Igreja? Há espaço para o que nasce? Amamos e proclamamos um Deus que nos coloca em um novo caminho?"
Para o Papa, não é possível se esconder atrás da ideia de que tudo já está pronto. O medo paralisa. O Evangelho, ao contrário, liberta e abre caminhos novos.
Assim, o Consistório, para o Papa Leão XIV, "é uma das muitas expressões pelas quais podemos realmente viver uma experiência da novidade da Igreja. O Espírito Santo está vivo e presente também entre nós. Como é belo estarmos juntos no barco!"
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Fonte: Vatican News
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