No dia 22 de agosto de 1814, a Sagrada Congregação dos Bispos e Regulares ordenou que toda congregação religiosa deveria ter a sua Procuradoria Geral em Roma.
Um pouco mais tarde, em 16 de maio de 1815, o convento de Santa Maria de Monteroni foi destinado aos redentoristas que ali permaneceram com sua procuradoria até a compra da Villa Caserta para ser a sua Casa Geral, com a necessária mudança do organismo para o novo endereço localizado entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João de Latrão.
A cidade de Roma possui cerca de 1,5 mil igrejas, contando aquelas das quais restam algumas ruínas. Entre elas temos as grandes basílicas, visitadas anualmente por milhares de pessoas, e as pequenas igrejas escondidas nas ruas e vielas de Roma.
Uma dessas, localizada entre o Largo Argentina e o Panteão, é a igreja redentorista de Santa Maria in Monteroni, que conta histórias centenárias mesmo não sendo das mais conhecidas.
Fachada da Igreja de Santa Maria de Monteroni
As origens dessa pequena igreja se perderam, mas possivelmente, como aconteceu com outras igrejas de Roma, ela tenha sido construída sobre as ruínas de um antigo templo pagão.
Naquele tempo, o rio Tibre ainda não tinha sido canalizado e as suas inundações anuais faziam com que as águas transbordassem de suas margens, inundando uma localidade conhecida como “estagno de Agripa”, o que ajudou na consolidação de seu nome como "della Valle" por estar situada num dos baixios do rio.
Documentada pela primeira vez em uma bula papal de 1186, seus espaços foram erguidos possivelmente em 1597 e, após as restaurações de 1597, foram completamente transformados em 1682, no pontificado do Papa Inocêncio XI.
A edificação dessa igreja se deve à família Monteroni de Siena, o que também ajuda a explicar o seu nome. O edifício sacro é conhecido pela sua arquitetura formada de três naves separadas por oito antigas colunas jônicas e pelo retábulo do século XVIII.
A fachada do templo tem duas ordens divididas por pilastras duplas. Coroando está um tímpano triangular dentro do qual há uma inscrição dedicada à Assunção da Virgem Maria.
No altar-mor, é possível admirar uma Madonna do século XVIII colocada no retábulo, entre São Pedro Nolasco e São Pedro Pascal, provavelmente obra de Pompeo Battoni.
O grande destaque da igreja fica no final da abside, uma capela dedicada a Santo Afonso Maria de Ligório, primeira pintura realizada após a sua beatificação.
Imagem de Santo Afonso de Ligório no interior da Igreja
Em 1860, uma Confraria leiga foi criada aqui por eles para orar pelas almas do Purgatório, e isso ainda se reúne na igreja.
Adjacente ao templo, havia um hospício (hospedaria) para peregrinos de Siena que depois foi ocupado e reformado para se tornar o convento redentorista.
Em 1815, cessada a ocupação de Roma pelas tropas francesas e após a restauração definitiva do governo papal em Roma, o complexo igreja-hospedaria desocupado foi concedido aos redentoristas.
A casa com a igreja foi doada à Congregação pelo papa Pio VII, através de uma bula de 2 de agosto de 1815, no lugar da igreja de São Julião, perdida com a anexação napoleônica de 1809 e que depois seria demolida para a construção da atual Praça Vitório Emanuelle III.
A propriedade anteriormente pertencera à Ordem dos Mercedários, que a abandonaram. A partir de 1822, se transformou na sede da Procuradoria Geral da Congregação. De 1855 a 1869, o Procurador Geral de Nápoles também ali residiu durante o tempo de divisão da Congregação.
O convento serviu como sede do Governo Geral com o Pe. Vincenzo Trapanese (1850). Por ocasião da canonização de Santo Afonso, hospedou o Superior Geral Pe. Giancamilo Ripoli com o seu Conselho e o Vigário Geral Pe. José Armando Passerat. Também por ocasião da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, São João Neumann ali ficou por dois meses (1854).
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Em setembro de 1869, hospedou o Pe. Berruti com os padres Cozzi e Balducci, que negociaram com o padre Nicolau Mauron as etapas finais da reunificação da congregação, sancionada pelo Papa Pio IX, em 17 de setembro de 1869.
O convento foi confiscado pelo Estado italiano em 1873 e depois parcialmente resgatado. De 1841 a 1887 foi a primeira sede do Governo da Província de Roma, e depois de forma provisória, em várias ocasiões, até que em 1955, se transformou em sua sede permanente até que o processo da reconfiguração reorganizou as províncias do sul da Europa em 2023.
Os redentoristas ainda hoje ali permanecem, embora seu principal convento esteja em Santo Afonso de Ligório ao Esquilino.
Procuradores da Congregação que ali moraram até a transferência para a atual Casa Geral:
Em 1848, a congregação empreendeu uma restauração do convento anexo à igreja, supervisionada por Pietro Camporese, o Jovem, parte da qual foi a provisão de uma capela em homenagem a Santo Afonso Maria de Ligório.
A capela é de uma beleza ímpar, com uma cúpula decorada em branco e dourado. As pinturas foram executadas por um artista napolitano chamado Vico. O retábulo mostra Santo Afonso em oração; a parede do lado esquerdo o mostra com os primeiros irmãos e irmãs redentoristas e a parede do lado direito o mostra levitando. As lunetas têm anjos e os pendículos da cúpula exibem os quatro evangelistas.
A igreja de Santa Maria in Monteroni não é muito conhecida e nem tão visitada, por estar um pouco afastada das vias percorridas pelos turistas e peregrinos, mas é de uma beleza e arte litúrgica únicas, onde conta também a sua historicidade e importância para a Congregação.
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Fonte: Instituto Histórico Redentorista
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