Com nosso “coração de carne”, Deus constrói Seu reino (Ez 36,24-28)
Com nosso “coração de carne”, Deus constrói Seu reino (Ez 36,24-28)

O povo estava sofrendo as dores do exílio. E, pelo profeta, Deus lê por dentro as verdadeiras razões do desastre: “por causa do sangue que derramaram no país e pelos ídolos com os quais o contaminaram” (Ez 36,18). Podemos ver aí duplo pecado: derramamento de sangue e idolatria, ou um único delito: matar o semelhante é idolatria, é romper com o Deus da vida, e idolatrar o poder, a maldade, a prepotência que mata!

E estando o povo fora da terra, ainda que por própria responsabilidade, Deus sentia a situação como desonra a Seu próprio Nome, pois Ele é que prometera terra a eles e até os levara até ela. Assim, no exílio “desonraram meu nome santo porque deles se dizia: ‘Estes são o povo de Javé, e, no entanto tiveram que sair de seu país’” (v.20). Que Deus maravilhoso: sente-Se desonrado no sofrimento pecaminoso de Seu povo! Uma vez mais, porém, vencido por Seu próprio amor, Deus intervirá em favor do povo.

“Eu vos tomarei do meio das nações, vou reunir-vos de todos os países e vos conduzir para vossa terra” (v.24). Da primeira vez, quando os libertou do Egito, houve todo um deserto de purificação para que entrassem limpos, um povo novo, na terra. Agora não será diferente: “Eu vos aspergirei com uma água pura e sereis purificados; eu vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos” (v.25). Novamente o profeta associa “impurezas” e “ídolos”.

Essa “água pura” é o Espírito de Deus. É como Deus renovando nossa criação, quando soprara para dentro de nossa fragilidade ou nada – argila ou barro – Seu próprio “sopro da vida” (Gn 2,7). Assim, agora “dentro de vós porei meu espírito e vos farei viver conforme meus preceitos e vos farei observar e pôr em prática minhas leis” (Ez 36,27).

“Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também pelo Espírito” (Gl 5,25). Sim, o Espírito de Deus em nós realmente nos transforma, pode nos fazer inteiramente novos. O que era “o sopro de vida” para aquele boneco de argila, será agora o Espírito para este novo corpo, sendo-lhe alma, coração, vida nova: “Eu vos darei um coração novo, porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26).

Que bonito! Na leitura profética, o lado tenebroso de nossa vida revela-se nesta associação: derramar sangue / idolatria / impureza, a que agora se une “coração de pedra”. O lado bonito e sempre sonhado estampa-se nesta outra associação: “água pura” / “meu espírito” a que corresponde agora “coração de carne”!

A iniquidade praticada contra os irmãos é a impureza, a idolatria. Ao contrário, a bondade igualmente vivida é nossa real adoração de Deus, honra para Seu Nome! Então, coração realmente pertencente a Deus, a Seu inteiro dispor, adorador é sobretudo o coração “de carne”, solidário, amoroso, compassivo para com seus semelhantes!

E unicamente nesta fraternidade restaurada, ou pela primeira vez implantada, para Deus de fato acontece êxodo, libertação, terra prometida. Vive-se na terra a vida que sempre sonhou ao nos criar: “Habitareis na terra que dei a vossos pais; vós sereis meu povo e eu serei vosso Deus” (v.28). Fazemo-nos realmente de Deus exclusivamente pelo “coração de carne”, pelo coração fraterno, e só assim habitamos Sua sonhada terra prometida!

REFLEXÃO

1. O que é idolatria a partir do texto de Ezequiel?

2. Vivemos hoje na “terra prometida”?

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Por Redação, em Santuário Nacional

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