Por Leonardo C. de Almeida Em Palavra do Associado Atualizada em 03 OUT 2017 - 08H14

A Senhora Aparecida em letra e música

Nossa Senhora Aparecida

Um sem-fim de versos e intermináveis prosas poéticas cantaram, ao longo dos séculos, o nome bendito de Maria Santíssima e seus louvores. A História da Igreja sempre teve santos, poetas e escritores, leigos e clérigos, renomados e anônimos, que dedicaram letras e melodias a Nossa Senhora. Veja-se, a título de ilustração, dentre os muitos cânticos compostos por Santo Afonso Maria de Ligório, os seguintes versos, que exaltam, afetiva e docemente, a Virgem Mãe do Redentor, sob cuja proteção a Igreja se abriga: “Debaixo do teu manto, / Minha Senhora linda, / Viver quero e ainda / Espero aqui morrer...”.No Brasil, igualmente, não foram poucos os que escreveram e compuseram canções à Virgem, particularmente sob o título de Aparecida, ao longo destes trezentos anos de devoção, que motivam o corrente Ano Santo Mariano.

 

De fato, a Igreja faz uso do Cântico de Maria (cf. Lc 1,47-56) para louvar o nome do Deus Justo e Santo, que volta seu olhar libertador ao povo oprimido e desprezado.

Assim se expressa a letra inicial de um cântico à Mãe Aparecida: “Maria o Magnificat cantou, / E com Ela todos nós vamos cantar...”. De fato, a Igreja faz uso do Cântico de Maria (cf. Lc 1,47-56) para louvar o nome do Deus Justo e Santo, que volta seu olhar libertador ao povo oprimido e desprezado. Profeticamente, Maria revela a predileção divina pelos pequenos e humildes do Reino, e a Igreja se associa a Ela para exaltar o Senhor que fez e faz maravilhas em nosso meio. A Igreja, na verdade, canta com Maria e a Maria, em vista do seu papel na História da Salvação, conforme foi por Ela predito: “Todas as gerações, de agora em diante, cantarão os meus louvores” (Lc 1,48).

Quando falamos em músicas relacionadas a Nossa Senhora Aparecida, cumpre fazer um percurso pelos seus trezentos anos de devoção, numa busca das incontáveis canções a Ela dedicadas por todos os cantos e recantos deste país que A invoca filialmente. Oriundos, muitas vezes, das últimas décadas, diversos cantos (populares e consagrados na voz de cantores afamados – especialmente do meio sertanejo –, litúrgicos ou apenas devocionais) alusivos à Virgem Aparecida nos vêm à mente...

 

Nossa Senhora Aparecida Jesus

Nossa Senhora Aparecida

Na Liturgia, particularmente na Liturgia das Horas e na Celebração da Eucaristia, Maria tem o seu lugar. A Ela se faz referência numa das fórmulas do Ato Penitencial (“Confesso a Deus todo-poderoso...”), na Profissão de Fé e na Oração Eucarística, sem retirar, com isso, a centralidade do Cristo. Também há inúmeras composições musicais próprias para as Festas Marianas que acontecem ao longo do ano litúrgico. São muitos os cânticos e álbuns próprios para a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida e que cantam as Bodas de Caná (Evangelho da Liturgia da Palavra da Missa da Padroeira do Brasil). Recentemente, foi lançado o CD “Das Redes ao Coração” (com canções para a Missa de Nossa Senhora Aparecida) e aguarda-se para breve os cantos da Missa oficial dos 300 anos de Aparecida, de autoria de Ir. Míria T. Kolling, um dos maiores nomes da música litúrgica de nossos tempos no Brasil e que já possui diversos cantos dedicados à Virgem Aparecida. Lembramos, aqui, do Hino do Congresso Eucarístico Nacional de Aparecida de 1985, de autoria de Padre Lúcio Floro: “O Mistério supremo do amor, com Maria, viemos cantar!”

::Nossa Senhora Aparecida: nove músicas que homenageiam a Padroeira do Brasil::

 

Capela dos apóstolos

Capela dos Apóstolos

A piedade popular, por sua vez, não cessa de prestar louvores à Mãe de Deus, sob o título de Aparecida. Quem nunca se emocionou nas novenas, consagrações, rezas do terço ou rosário, peregrinações, procissões, coroações ou em outros momentos devocionais marianos ao cantar ou ouvir “Romaria”? Ou “Dá-nos a bênção”; “Ao trono acorrendo”; “Eia, povo devoto”; “Graças vos damos, Senhora”; “Virgem Mãe Aparecida”; “Salve, Santa Imagem”; “Oh Virgem Santa, rogai por nós pecadores”; “Santa Mãe Maria, nessa travessia”; “Venho cantar meu canto”; “Senhora d’Aparecida, vi tua cor se esparramar”; “Na imagem tão pequena”; “Em procissão, em romaria”; “Negra Mariama”, “Sou romeiro de Aparecida, devoto de Nossa Senhora”; “Oh Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil” e uma infinidade de outras composições e compositores, impossível de ser esgotada nestas linhas... Indispensável, ainda, mencionar os muitos e inesquecíveis Hinos Oficiais compostos por missionários redentoristas ou músicos leigos do Santuário Nacional para as Festas da Padroeira e outros momentos especiais, como a troca do manto (Cerimônia Graça e Luz) ou o Centenário da coroação (em 2004): “Mais uma vez nós te coroamos (...) É justo agora chamar-Te Senhora e minha Rainha...” (composição de Padre Ronoaldo Pelaquim).

 

... São João Paulo II...  “Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi esse cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com Aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo de sua vida para ser nossa Mãe”.

Contudo, indubitavelmente, o Hino à Virgem Aparecida, dentre os muitos (como “Senhora Aparecida, guiai a nossa sorte”) compostos pelo Conde Dr. José Vicente de Azevedo pelos idos de 1900 e tornado Hino Oficial da Padroeira em 1951, é o mais célebre, que toca fundo os corações dos brasileiros e continua a ressoar pelo Brasil afora: “Viva a Mãe de Deus e nossa”... Esse Hino Oficial totaliza uma riqueza de cerca de 20 estrofes, muito além daquilo que estamos habituados a cantar, como a que segue: “Visando altos desígnios, / Fostes por Deus escolhida / Padroeira do Brasil, / ó Senhora Aparecida!”. Sobre a popularidade desse Hino, assim se expressou São João Paulo II em sua homilia por ocasião da Missa de Sagração da nova Basílica Nacional no dia 4 de julho de 1980: “Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi esse cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com Aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo de sua vida para ser nossa Mãe”.

Anos mais tarde, um novo Hino promete marcar a comemoração dos 300 anos. Recentemente, no dia 19 de janeiro, Padre Zezinho, um dos grandes nomes da música católica do Brasil (responsável por canções marianas consagradas, como “Maria de Nazaré”) realizou, durante Café Mariológico promovido pela Academia Marial de Aparecida no Santuário Nacional, o lançamento de seu novo CD em louvor à Rainha e Padroeira do Brasil no seu Jubileu: a opereta “Mil Vezes Aparecida – o Musical”. O álbum reúne, entre textos e composições musicais belíssimas, o Hino oficial dos 300 anos de Aparecida, já apresentado no ano passado no Santuário Nacional: “300 anos de devoção a Maria! / 300 anos de oração com Maria! / 300 anos de adoração a Jesus / Nestas colinas de Aparecida!”

Com melodia e letra belas e de fácil memorização, o Hino oficial trata-se de uma exaltação dos 300 anos de Aparecida, a partir da Cidade onde a pequena imagem foi pescada no Paraíba e de onde a devoção irradiou-se para todo o Brasil. Os versos cantam que, sob o amparo e a inspiração da Mãe Aparecida, o povo de Deus edificou sua fé centrada no Cristo Libertador, a qual possibilitou que, tal como Maria, a Mulher forte e fiel à Palavra, a nação brasileira praticasse a solidariedade e vivesse sua missão evangelizadora. Padre Zezinho estabelece uma analogia entre a imagem de Aparecida (que, embora pequena, frágil e tantas vezes fragmentada, é um símbolo forte de fé de um país) e o povo brasileiro (que, apesar de todos os percalços sociais, políticos e econômicos que sofre, sabe se reerguer, com dignidade, em meio às suas dores).

 

Assim é toda canção voltada à Mãe Aparecida, a Quem não cessamos de cantar com confiança: “ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida”...

Ainda acerca da musicalidade que envolve Aparecida, em vista do seu Jubileu tricentenário, a escola de samba Unidos de Vila Maria traz como tema de seu samba-enredo para o Carnaval 2017 os 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, que pretende ser uma homenagem à Padroeira do Brasil e aos seus devotos, recontando a história de fé construída ao longo destes três séculos. O desfile acontecerá em sintonia com as orientações dadas pela Igreja através da Arquidiocese de São Paulo e do Santuário Nacional, abolindo qualquer elemento no figurino ou nos carros que possa ser desrespeitoso, constrangedor ou incompatível com a temática. A letra do samba-enredo possui tom de prece laudatória, que pede a paz, exalta a Senhora, os seus milagres e a sua gente devota que expressa a piedade em muitos gestos de fé. Finaliza, sucinta e belamente, assim a letra do samba: “Salve a Rainha do Brasil”.

::Conheça o samba enredo que vai homenagear Nossa Senhora Aparecida no carnaval 2017::

Importante ressaltar que constou da programação artística da Festa da Padroeira 2016 o lançamento do CD “Aparecida – Canções de Amor e Fé”, o qual reuniu vários nomes da música católica do país, que gravaram melodias consagradas e inéditas à Mãe Aparecida: sinal de que Maria continua a ser, incessantemente e de maneiras sempre novas, foco dos compositores e cantores de hoje.  

Por entre choros, gemidos e lágrimas decorrentes dos dramas humanos, o nome de Maria surge como acalento e esperança na vida de todos os povos. E quão mais reluzente torna-se esse doce e forte Nome quando cantado em prosa ou verso, devotamente, pelo povo santo e pecador! Assim é toda canção voltada à Mãe Aparecida, a Quem não cessamos de cantar com confiança: “ilumina a mina escura e funda, o trem da minha vida”...

::Músicas para cantar durante o Ano Mariano::

Leonardo C. de Almeida

Associado da Academia Marial de Aparecida

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