Na mensagem para o 100º Dia Mundial das Missões, o Papa Leão XIV chama a atenção para os conflitos, polarizações e crescente desconfiança entre pessoas e povos.
Diante desse contexto, o Pontífice destaca que a missão da Igreja passa, antes de tudo, pela construção de uma unidade que não se confunde com uniformidade, mas que se expressa como um encontro vivido na mesma fé e em culturas diversas.
O Dia Mundial das Missões será celebrado em 18 de outubro, com o tema “Um em Cristo, unidos na missão”. A data foi instituída há um século por Pio XI e, segundo o Papa, segue atual ao recordar que a evangelização exige corações pacificados e comunidades reconciliadas.
add_box Vocação e missão: disponibilidade para anunciar o amor de Deus
Leão XIV recorda que a missão cristã tem sua origem na união com Cristo. Ao citar as palavras de Jesus antes da Paixão, “Para que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em mim, e Eu em ti, para que assim eles estejam em nós”, o Papa apresenta a identidade profunda da Igreja.
Para ele, o cristianismo trata-se de uma vida em comunhão com Cristo, que introduz os fiéis na relação filial que Ele mantém com o Pai, no Espírito Santo. Essa comunhão trinitária sustenta a fraternidade entre os seres humanos e a harmonia com toda a criação.
O Pontífice aponta que a primeira responsabilidade missionária da Igreja está na constante reconstrução da unidade espiritual e fraterna entre seus membros. Conflitos internos, polarizações e desconfianças, quando presentes nas comunidades, enfraquecem o testemunho cristão.
Nesse sentido, Leão XIV destaca a importância do compromisso ecumênico, especialmente no contexto do 1700º aniversário do Concílio de Niceia, como caminho concreto para fortalecer a comunhão entre as Igrejas cristãs.
add_box Qual a importância do Concílio de Niceia?
Ser “um em Cristo”, afirma o Papa, significa manter Jesus no centro da vida pessoal e comunitária. Essa centralidade torna os fiéis “pedras vivas” de uma Igreja chamada a acolher os frutos do Concílio Vaticano II e do Magistério recente, com atenção especial ao legado do Papa Francisco.
Leão XIV recorda, então, as palavras de São Paulo VI na Evangelii Nuntiandi:
“Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados.”
A unidade dos discípulos está a serviço da missão. É na comunhão que o Evangelho manifesta toda a sua força comunicativa. O Papa retoma a síntese do Beato Paulo Manna, “Toda a Igreja para o mundo inteiro” como expressão da vocação missionária universal.
“Nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão”, recorda Leão XIV. Cada fiel participa da obra evangelizadora segundo sua vocação e condição de vida. O anúncio do Evangelho, como frequentemente lembrava o Papa Francisco, é sempre uma ação comunitária e sinodal.
A missão, explica o Pontífice, pede uma espiritualidade de comunhão e colaboração. Isso implica reconhecer, com os olhos da fé, a ação do Espírito Santo nos outros, acolher a diversidade como riqueza e buscar a unidade que vem de Deus.
A unidade missionária não deve eliminar as diferenças culturais, espirituais ou litúrgicas. Ao contrário, incentiva que elas se expressem de modo harmonioso na mesma fé. Por isso, o Papa incentiva as realidades eclesiais a fortalecerem a comunhão missionária e a desenvolverem formas criativas de cooperação.
Leão XIV recorda a contribuição histórica das Pontifícias Obras Missionárias, formadas pelas Obras da Propagação da Fé, da Infância Missionária, de São Pedro Apóstolo e da União Missionária. O Papa destaca que conhece de perto esse trabalho, vivido durante seu ministério episcopal e missionário no Peru.
Essas instituições seguem promovendo a consciência missionária por meio da oração, da formação e da caridade. O Pontífice lembra ainda a Beata Paulina Maria Jaricot, fundadora da Sociedade para a Propagação da Fé e a criação do Rosário Vivo, que até hoje une fiéis em oração pelas missões.
“Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência”, escreve o Papa. A Boa Nova anunciada pela Igreja é o “Evangelho do amor fiel de Deus”, revelado na vida e no rosto de Jesus Cristo.
Ao longo da história, missionários, mártires e testemunhas do Evangelho deram a vida para tornar esse amor conhecido. A missão da Igreja segue guiada pelo Espírito Santo até o fim dos tempos.
add_box O que o Espírito Santo quer da Igreja?
O Papa agradece aos missionários e missionárias ad gentes que continuam a anunciar o Evangelho em contextos difíceis como a pobreza, pelos conflitos ou pela distância cultural. Com perseverança, eles testemunham que o amor de Deus supera qualquer barreira.
Leão XIV reforça que o mundo e as comunidades cristãs ainda precisam de novas vocações missionárias. Por isso, convida os fiéis a rezarem para que jovens e adultos se disponham a seguir Cristo no caminho da evangelização.
Ao concluir, o Papa afirma que toda ajuda oferecida no Dia Mundial das Missões é um sinal de comunhão missionária. A mensagem termina com uma oração, na qual Leão XIV pede a Deus que a Igreja seja “um em Cristo”, unida na missão e fiel no testemunho do Evangelho, sob a proteção de Maria, Rainha das Missões.
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