Por Elisangela Cavalheiro Em Notícias Atualizada em 05 DEZ 2019 - 10H58

Dom Carlinhos: o bispo nascido em Aparecida

Quando o filho de Carlos e Judith nasceu em Aparecida no dia 14 de março de 1931, os pais não sabiam que o futuro daquela criança seria grande. Batizado José Carlos de Oliveira, o pequeno cresceu em “estatura e graça” seguindo o exemplo de Jesus e se tornou o primeiro bispo nascido na terra da Padroeira do Brasil.

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Dom Carlinhos como jovem redentorista.

Numa pesquisa realizada na Nunciatura Apostólica no Brasil não foi encontrado outro bispo nascido em Aparecida. Entretanto, esta definição não diz tudo sobre o ministério de Dom Carlinhos.

Padre Victor Hugo Lapenta Silveira, missionário redentorista da Província de São Paulo, vivenciou com o bispo os primeiros anos de seminário. Para ele, o ministério do amigo foi marcado pela sua pregação vigorosa, pelo seu jeito dinâmico e solicitude aos que o procuravam.

“Ele sempre foi um pregador entusiasmado e de palavra vibrante e, ao mesmo tempo, de muita comunicação com o povo simples. É um homem altamente voltado para o atendimento às pessoas. Sempre cuidadoso em estar à disposição, e um homem de medidas práticas. Ele não foi um teólogo teórico, foi um pregador para o povo”, frisou padre Victor Hugo.

Leia Mais3 características da Vocação RedentoristaEscolher bem a vocação define vida plena e felizA importância do apoio da família na vocação religiosaA Vocação Redentorista ontem e hojeDom Carlinhos era um menino de 13 anos quando resolveu ir para o seminário para entender o que desejava o seu coração. Entrou para o Seminário Redentorista Santo Afonso no ano de 1944, sendo recebido pelo padre Pedro Henrique, o mesmo que o batizou. Seguiu todos os passos da formação redentorista e certo de sua vocação se tornou padre no dia 27 de janeiro de 1957, aos 26 anos.

Como padre redentorista “foi um líder das equipes missionárias redentoristas, sendo um renovador do trabalho das Santas Missões”, conta padre Victor Hugo.

Missionário impelido pelo amor de Deus evangelizou muitos lugares até ser escolhido como superior provincial dos Missionários Redentoristas, em 1975. Anos depois a Providência Divina quis que ele se tornasse o pastor de uma diocese goiana, e foi lá que o padre redentorista pode exercer sua solicitude com ainda mais afinco. Assumiu a Diocese de Rubiataba-Mozarlândia no dia 25 de novembro de 1979.

Nesta Igreja local enfrentou desafios em favor dos pobres. Trabalhou com sem-terras, escravos, índios e lutou pela demarcação de suas terras. Buscou fortalecer o trabalho vocacional na diocese para o surgimento de vocações sacerdotais e religiosas. Permaneceu 29 anos à frente da mesma diocese e quando chegou a idade, pediu a renúncia ao episcopado como manda a Igreja. Voltou para a sua cidade natal, para morar no coração da devoção mariana brasileira.

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Dom Juvenal Roriz, então bispo prelato de Rubiataba, Paulo VI que instituiu a prelazia e padre Carlinhos que viria a ser bispo da diocese.


Em Aparecida é bispo emérito e sempre que possível celebra missas no Santuário Nacional, atende pastoralmente os devotos, sempre com atenção, disponibilidade e sua rotineira alegria.

“Como homem idoso ele está praticamente aposentado, mas ele continua atendendo pessoas, orientando com um belo trabalho pastoral. Quando ele assumiu o episcopado viveu separado da congregação, por força do ministério, e quando ele terminou o trabalho quis voltar para a sua família religiosa. E isso era o que Dom Carlinhos sempre quis”, acrescenta padre Victor.

:: O padre religioso, quando é eleito bispo, ele deixa de pertencer à sua Congregação?

Na história de Aparecida, Dom Carlinhos teve um papel determinante. Quando a imagem sofreu o atentado, ele acompanhou todo o processo de restauro junto com os redentoristas do Santuário e Maria Helena Chartuni. Na missa que relembrou os 40 anos do retorno da imagem totalmente restaurada a Aparecida, em 2018, Dom Carlinhos presidiu a missa solene e recordou com emoção o momento em que ficou junto do jovem que derrubou a imagem.

“Eu tive a felicidade de dizer para ele, para a sua família, ele não está preso, o Santuário não vai processar o seu filho, e naquele mesmo dia nós o entregamos ele para sua família, uma inspiração da mãezinha lá do céu”.

:: Leia mais sobre a história de Aparecida

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