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Dom Giuseppe de Ligório: Pai do fundador da Congregação Redentorista

A forte presença de Giuseppe moldou a formação humana, espiritual, artística e disciplinar de Santo Afonso, marcando para sempre sua vida e missão

Escrito por Redentoristas

19 NOV 2025 - 11H33 (Atualizada em 25 NOV 2025 - 10H34)

Instituto Histórico Redentorista

Na espiritualidade de Santo Afonso, a Paixão tem um lugar muito importante, seja nas obras que escreveu, seja como pintor, em seu famoso crucifixo, ou pela excelência de sua obra, ou também como músico no Dueto, e nas outras canções.

Perguntamo-nos, como Santo Afonso descobriu sua vocação musical e teve uma participação tão profunda na Paixão do Senhor? Uma devoção tão característica nele que também teve um impacto profundo em sua dedicação à vida cristã? Ele deve isso ao pai.

Assim como havia a influência de sua mãe no livreto de orações que ele manteve e recitou durante toda a vida, na devoção a Nossa Senhora, no terço que rezavam todos os dias com os outros irmãos.

Seu pai, ocupado com suas aventuras marítimas contra corsários, não estava tão frequentemente em casa. Mas ele também teve uma grande influência sobre Santo Afonso. E vamos começar com a música.

Aperfeiçoando seus dotes musicais

Claro que Santo Afonso tinha um talento natural, mas ele o herdou de seu pai, que também era apaixonado pela música, especialmente pelo cravo que gostava de tocar. Ele também adorava levar o filho ao teatro, acompanhando-o em seu crescimento musical.

Tendo descoberto em seu filho a inclinação para a música que ele mesmo não havia sido capaz de cultivar, fez com que ele fizesse três horas de aula de música por dia, três horas com os melhores músicos daquele tempo.

.:: Santo Afonso: o músico brilhante ::.

O Padre Marcelli, falando dessas lições, lembrou que quando seu pai não estava presente, ele as trancava, colocava a chave no bolso até que voltasse, com medo de que elas se perdessem.

Santo Afonso admitiu mais tarde que havia gasto muito tempo no estudo da música porque um conhecimento tão profundo causa mais desconforto do que prazer: "Um bom músico sofre quando ouve música ruim". Então ele lamentou que seu treinamento às vezes o levasse a sofrer.

Outra paixão que o pai tentou desenvolver no filho foi a pintura. Seu pai era um entusiasta da pintura. Discípulo de Solimena, frequentou a oficina deste famoso pintor napolitano, tornando-se um excelente miniaturista.

Ele também levou seu filho para lá, e ele se tornou um bom pintor, como se vê em várias pinturas que ele nos legou para a posteridade.

Amor pela paixão

Seu pai era um bom cristão, frequentava os sacramentos e ia à igreja: ele não era apenas um lobo-do-mar. Ele fazia os exercícios espirituais todos os anos com os vicentinos e com os jesuítas, pois esses eram os lugares onde os nobres faziam os exercícios e, quando Afonso cresceu, ele o levava consigo e eles participavam juntos.

Então, à medida que crescia, também levou Afonso para a vida política, para atividades sociais. Eles tinham um assento naquilo que correspondia aos nossos atuais conselhos de bairro: eles tinham em suas mãos a administração, a justiça, a administração ordinária.

O assento era hereditário e depois passou para Santo Afonso, que também praticava a administração pública.

Seu pai tinha uma grande devoção à Paixão do Senhor, uma devoção que era muito difundida no século XVII, tendo quatro estatuetas em seu navio, que agora estão guardadas pelos redentoristas, na casa de Ciorani.

Elas retratam Jesus sofrendo no Jardim das Oliveiras, Jesus açoitado preso à coluna, o Ecce Homo e Jesus carregando sua cruz em direção ao Calvário. Essas imagens, muito coloridas, típicas da piedade do século XVII em suas atitudes de sofrimento, estavam em sua cabine e ele mesmo disse que o salvaram muitas vezes durante suas vicissitudes marítimas.

Graças à sua personalidade forte, transmitiu também ao seu filho o mesmo amor apaixonado por Jesus: Jesus que morre por nós, Jesus que nos salva, Jesus que se entrega totalmente por nós.

Educação aprofundada

Deixando de lado esses dois aspectos como fundamento típico da piedade alfonsiana, destacamos ainda outro ponto. Não é que o pai também não estivesse interessado no restante da educação de seu filho, especialmente quando ele ficou mais velho.

Por exemplo, quando ele começou o que pode ser chamado de ensino médio e depois a universidade, seu pai impôs um horário de trabalho, um horário muito difícil. O menino e depois jovem Afonso tinha apenas uma hora de recreação por dia e ele também tinha que estudar música.

Ele tinha dias de recreação comum e aqueles de recreação extraordinária. Afonso fez todos os seus estudos em casa.

Quando se matriculou na universidade, estudou fora de casa. Os domingos eram de recreações comuns, enquanto as festas ocorriam no meio da semana, então havia vários dias de recreação extraordinária.

Quando não havia aula, seu pai o levava para caçar, como os nobres costumavam fazer. E Afonso ia de bom grado, mas sem nunca ter abatido uma só presa. Além disso, ele era míope e nunca teria conseguido acertar um tiro.

.:: Obras de Santo Afonso alcançam mais de 70 idiomas ::.

No entanto, a caçada era repugnante para ele. A única coisa que lhe dava prazer era estar ao ar livre. Uma vez, essa hora de recreação passou sem que ela percebesse. Ele costumava ir à casa de um amigo em um prédio próximo para jogar cartas.

Ele se apaixonou por isso e naquele dia, um jogo levou a outro, a hora passou. Seu pai começou a andar para cima e para baixo, esperando por ele.

Como ele não chegava, estando atrasado, o que o pai fez? Colocou muitos baralhos de cartas espalhados em sua mesa de estudo e quando o viu entrar, disse: aqui estão seus livros! O jovem Afonso, diante da ira de seu pai, disse que não o fizera de propósito, que havia esquecido.

Por aquele tempo, seu pai o perdoou. Mas acho que não havia mais necessidade porque, além da lição da severidade de seu pai, Afonso era muito leal aos seus deveres.

Seu pai não o poupava. Ele era um tipo colérico, mas seu filho não era diferente. Certa vez, quando Afonso já era um advogado famoso e tinha mais de vinte anos, houve uma festa em sua casa e os criados tiveram que acompanhar os convidados com tochas acesas.

Como um criado estava atrasado, Don Giuseppe, impaciente, começou a protestar contra esse pobre homem. Afonso, que também estava presente para receber os convidados, disse: "Pai, quando você começa, parece que nunca vai mais terminar!". Seria bom se ele nunca tivesse dito isso!

Seu pai nem olhou para os convidados e repreendeu duramente ao jovem nobre, que foi obrigado a pedir desculpas. Mas como já fosse um famoso advogado da Ordem dos Advogados de Nápoles, havia uma relação de liberdade mesmo na autoridade.

Seu pai também o levava a teatros e às famílias onde aconteciam festas: Afonso era muito procurado, primeiro porque era um bom par e depois porque tocava divinamente.

Seu pai, como os outros pais, tentava lhe arranjar casamentos, mas Afonso já havia feito uma escolha de vida diferente em seu coração, pela qual regularmente frustrava os projetos de seu pai.

Padre Marcelli lembra que uma vez, em uma apresentação teatral, Afonso fez o papel do diabo, porque o diabo tinha que tocar cravo e Afonso, sendo um excelente músico e não apenas um compositor, era também um grande intérprete, tocando tão bem que deixava a todos extasiados.

Quando tocava cravo nas reuniões sociais, as meninas cantavam e competiam para se aproximar dele, para se destacar e até para tentar abraçá-lo. Certa vez, uma garota, enquanto Afonso tocava, fingindo ler a música, aproximou-se dele tocando o seu rosto, mas ele se esquivou.

.:: Santo Afonso descobre a vaidade do mundo ::.

Ela então, depois de um tempo, deixou escapar: "Mas qual é o seu problema, ó zi paglietta?".

Estes são apenas alguns pequenos episódios que mostram que na vida de Santo Afonso, além da influência preponderante de sua mãe, havia também a de seu pai. E depois, nas vicissitudes humanas, há a graça de Deus, o Espírito Santo que nos guia e usa as obras humanas para moldar as pessoas à sua maneira.

A partir daqui, veremos uma característica de Santo Afonso, que é napolitano. Sempre se diz "dolce far niente" quando falamos de Nápoles, e que o povo do Sul não gosta de trabalhar e coisas semelhantes. Mas o autor da vida de Santo Afonso diz: "O amor ao trabalho é a constante mais evidente na vida de Afonso, que fez o voto de nunca perder tempo e sempre fazer o mais perfeito". Aqui está também a mão do pai.

Pe. Vincenzo Ricci, C.Ss.R.

Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.

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