Por Pe. Victor Hugo Lapenta, C.Ss.R. Em Palavra Redentorista Atualizada em 15 OUT 2020 - 10H04

15 de outubro de 1944: nasce a Província Redentorista de São Paulo

Aniversário de criação da Província de São Paulo

O mês de outubro marca comemorações especiais para os Missionários Redentoristas. Especialmente no dia 15 de outubro, quando é celebrado o aniversário de fundação da Província de São Paulo, a maior do Brasil e da América Latina em número de religiosos, 193 membros atualmente. É neste mês também que lembramos a chegada dos pioneiros alemães e o aniversário de morte do primeiro missionário de Aparecida, padre Gebardo Wiggermann. 

Padre Victor Hugo Lapenta traz detalhes da história da elevação da província paulista. Confira! 

Comissão do Patrimônio Histórico da Província.
Comissão do Patrimônio Histórico da Província.
Missionários subindo a ladeira Monte Carmelo, na ocasião do Jubileu dos 50 anos


Em outubro de 1944, a Vice-Província de São Paulo celebrava seus 50 anos de existência, e formavam esta grande unidade os Estados de São Paulo, Goiás e Rio Grande do Sul e as 10 comunidades existentes nestes territórios. 

Cada comunidade, sob o comando de seu reitor ou superior, assumia suas missões, retiros, novenas, festas, ajudas paroquiais e atendimento a capelas. A Unidade não possuía equipes missionárias destacadas. O Vice-Provincial, convocando missionários das casas, organizava periódicas missões vice-provinciais. Em Goiás, além das missões paroquiais, todos os anos havia as longas desobrigas rurais. No Rio Grande do Sul eram pregadas missões em português e alemão.

Naquela época, era vice-provincial o padre Geraldo Pires de Souza. Ele promoveu a celebração dos 50 anos de fundação da Vice-Província com festividades em Aparecida nos dias 28, 29 e 30 de outubro. Participaram das comemorações o Núncio Apostólico, os reitores e superiores da Vice-Província e muitos eclesiásticos. O país estava em guerra com a Alemanha, e sentia consequentes dificuldades econômicas e administrativas, as estradas ainda eram primitivas, nenhuma comunidade redentorista possuía meios de transporte; não era pensável a vinda de outros confrades e, menos ainda, de formandos.

:: Quem foi padre Geraldo Pires de Souza?

Leia MaisRedentoristas de São Paulo: as primeiras missões Da Vice-Província, estavam presentes o Governo Vice-Provincial, reitores e superiores das comunidades, menos os de Pinheiro Marcado, confrades residentes em Aparecida e nós, alunos do Seminário Santo Afonso. Os dias precedentes foram divertidos. Padres e seminaristas se reuniam para os ensaios litúrgicos. Em vibrantes confraternizações, discutiam qual seria o acontecimento que o Vice estaria escondendo. Três fortes hipóteses, entre outras de menor calibre, agitavam o ambiente: Aparecida vai ser diocese? Padre Pires será nomeado bispo? Será criada a Província de São Paulo?

No dia 28, o senhor Núncio Apostólico, dom Bento Aloisi Mazella, celebrou a solene Missa Pontifical. Estavam presentes os Irmãos Simão e Uldarrico, dois sobreviventes da equipe de 1894. À noite, foi cantado na Basílica um Te Deum, o hino litúrgico de ação de graças, sob a presidência do Núncio. Deu-se aí o momento tão esperado, levando de roldão os desejos, hipóteses e suspeitas dos membros da Vice-Província.

Antes do Te Deum, padre Geraldo Pires foi até o nicho de Nossa Senhora Aparecida e retirou dos pés da Imagem um telegrama. Pediu ao Conselheiro Admonitor, o Pe. Miguel Poce, que o lesse. A voz poderosa e vibrante encheu a Basílica:

“Congratulações com apostólicas bênçãos pelo áureo jubileu da Vice-Província de São Paulo, agora canonicamente elevada a Província. Vossa Reverendíssima é nomeado Provincial. Felicitações e prosperidades à nova Província”.

Padre Geraldo Pires, em tons emocionados, justificou a decisão do Governo Geral. Foi demonstrada a solidez da Vice-Província que contava com 64 padres, 37 Irmãos, 60 clérigos, 20 noviços e 200 seminaristas menores. Foram dadas graças aos generosos missionários germânicos fundadores e sustento constante da Missão que agora chegava a Província com 20 padres e 17 Irmãos alemães.

A triste situação de guerra entre o Brasil e a Alemanha impedia qualquer contato com a Província Mãe e levava a sólidos temores de problemas civis, administrativos e diplomáticos no presente e no pós-guerra.

Com carinho e piedade, o Provincial nomeado proclamou Nossa Senhora Aparecida Madre Provincial da Província nascente. Isso foi depois confirmado no comunicado escrito do novo Governo Provincial a todos os confrades. E nas férias de janeiro seguinte, os clérigos de Tietê fizeram romaria a Aparecida para venerar a Madre Provincial.

Na celebração do dia 28 à noite, depois da fala do padre Geraldo Pires, o coral polifônico do santuário e sua orquestra sinfônica harmoniosamente ofertaram o Te Deum de ação de graças. Em manifestação popular na praça diante da Basílica Velha, o prefeito municipal Américo Alves, de notável poder oratório, agradeceu a presença cinquentenária dos Redentoristas.


Tempo de celebrar

Em 76 anos de vida e missão deu-se a expansão da Província. Teve ela de enfrentar momentos penosos. Lembramos as agitações provocadas por uma minoria de confrades alemães que não se conformaram com a separação da Província da Baviera. Lembramos também a grave crise administrativa de 1997/98. Mas aí estão as Províncias de Porto Alegre e de Goiás e o número triplicado de comunidades redentoristas no Estado de São Paulo, atestando a vitalidade da Unidade paulista.

Até o Concílio Vaticano II (1962-64), em sua vida consagrada, comunitária e pastoral, foram tranquilamente tradicionais os sistemas de vida interna, missão e formação. As orientações conciliares levaram a Província a um frutuoso processo de atualização tanto no interior da Província, suas comunidades, procedimentos administrativos e de formação, como em seus procedimentos litúrgicos e pastorais.

:: Redentoristas de São Paulo: a missão antes do Concílio Vaticano II

Citemos a construção da Nova Basílica que criou condições novas de acolhimento evangélico de milhões de peregrinos. Citemos ainda o ITESP, o CERESP, o Seminário São Geraldo, o Propedêutico, o nível acadêmico da filosofia, o Noviciado pós-filosofia, o mergulho nos Meios de Comunicação Social, e, ponto decisivo, os passos das Missões Populares. Vamos celebrar essa história?

Abaixo, as comunidades, pastorais e casas de formação existentes na época da elevação da nova província: 

1. Aparecida, 1894 – Paróquia, santuário, editora

2. Campinas de Goiás, 1894 – Paróquia, Santuário de Trindade, Pré-Seminário São José

3. Penha, 1905 – Sede Vice-Provincial, paróquia, santuário

4. Araraquara, 1920 – Igreja de Santa Cruz

5. Cachoeira do Sul, 1921 – Paróquia

6. Pindamonhangaba, 1928 – Casa do Noviciado

7. Tietê, 1935 – Estudantado Santa Teresinha, igreja provisória de Santa Teresinha

8. Pinheiro Marcado, 1937 – Pré-Seminário do Menino Jesus, com projeto em Ijuí, RS

9. Seminário Santo Afonso, 1898 – Fundado o Juvenato; Comunidade Religiosa em 1939

10. São João da Boa Vista, 1940 – Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


Leia também: 

:: Veja como foi a comemoração dos 125 anos da presença redentorista em Aparecida, celebrado em 2019


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