Por Pe. Victor Hugo Lapenta, C.Ss.R. Em Palavra Redentorista Atualizada em 15 OUT 2019 - 10H40

1944: Nasce a Província Redentorista de São Paulo

15 de outubro de 1944 - Aniversário de criação da Província de São Paulo

Em outubro de 1944, a Vice-Província de São Paulo celebrava seus 50 anos de existência. Integravam-se na unidade os Estados de São Paulo, Goiás e Rio Grande do Sul e as 10 comunidades existentes nestes territórios

Cada comunidade, sob o comando de seu reitor ou superior, assumia suas missões, retiros, novenas, festas, ajudas paroquiais e atendimento a capelas. A Unidade não possuía equipes missionárias destacadas. O Vice-Provincial, convocando missionários das casas, organizava periódicas missões vice-provinciais. Em Goiás, além das missões paroquiais, todos os anos havia as longas desobrigas rurais. No Rio Grande do Sul eram pregadas missões em português e alemão.

Comissão do Patrimônio Histórico da Província.
Comissão do Patrimônio Histórico da Província.
Missionários subindo a ladeira Monte Carmelo, na ocasião do Jubileu dos 50 anos.


Padre Geraldo Pires de Souza era o Vice-Provincial. Promoveu a celebração dos 50 anos de fundação da Vice-Província. As festividades seriam em Aparecida nos dias 28, 29 e 30 de outubro. Convidou o Núncio Apostólico, os reitores e superiores da Vice-Província e uns tantos eclesiásticos. O país estava em guerra com a Alemanha, sentia consequentes dificuldades econômicas e administrativas, as estradas ainda eram primitivas, nenhuma comunidade redentorista possuía meios de transporte; não era pensável a vinda de outros confrades e menos ainda de formandos.

:: Quem foi padre Geraldo Pires de Souza?

Leia MaisRedentoristas de São Paulo: as primeiras missões Da Vice-Província estavam presentes o Governo Vice-Provincial, reitores e superiores das comunidades, menos o de Pinheiro Marcado, confrades residentes em Aparecida e nós, alunos do Seminário Santo Afonso. Os dias precedentes foram divertidos. Padres e seminaristas se reuniam para os ensaios litúrgicos. Em vibrantes confraternizações, discutiam qual seria o acontecimento que o Vice estaria escondendo. Três fortes hipóteses, entre outras de menor calibre, agitavam o ambiente: Aparecida vai ser diocese? Padre Pires será nomeado bispo? Será criada a Província de São Paulo?

Dia 28, o senhor Núncio Apostólico, dom Bento Aloisi Mazella, celebrou solene Missa Pontifical. Estavam presentes os Irmãos Simão e Uldarrico, dois sobreviventes da equipe de 1894. À noite, foi cantado na Basílica um Te Deum, o hino litúrgico de ação de graças, sob a presidência do Núncio. Deu-se aí o momento tão esperado, levando de roldão os desejos, hipóteses e suspeitas dos membros da Vice-Província. Antes do Te Deum, Pe. Pires foi até o nicho de Nossa Senhora Aparecida e retirou dos pés da Imagem um telegrama. Pediu ao Conselheiro Admonitor, o Pe. Miguel Poce, que o lesse. A voz poderosa e vibrante encheu a Basílica:

“Congratulações com apostólicas bênçãos pelo áureo jubileu da Vice-Província de São Paulo, agora canonicamente elevada a Província. Vossa Reverendíssma é nomeado Provincial. Felicitações e prosperidades à nova Província”.

Padre Geraldo Pires, em tons emocionados, justificou a decisão do Governo Geral. Foi demonstrada a solidez da Vice-Província que contava com 64 padres, 37 Irmãos, 60 clérigos, 20 noviços e 200 seminaristas menores. Foram dadas graças aos generosos missionários germânicos fundadores e sustento constante da Missão que agora chegava a Província com 20 padres e 17 Irmãos alemães. A triste situação de guerra entre o Brasil e a Alemanha impedia qualquer contato com a Província Mãe e levava a sólidos temores de problemas civis, administrativos e diplomáticos no presente e no pós-guerra.

Com carinho e piedade, o Provincial nomeado proclamou Nossa Senhora Aparecida Madre Provincial da Província nascente. Isso foi depois confirmado no comunicado escrito do novo Governo Provincial a todos os confrades. E nas férias de janeiro seguinte, os clérigos de Tietê fizeram romaria a Aparecida para venerar a Madre Provincial.

Na celebração do dia 28 à noite, depois da fala do Pe. Pires, o coral polifônico do santuário e sua orquestra sinfônica harmoniosamente ofertaram o Te Deum de ação de graças. Em manifestação popular na praça diante da Basílica, o prefeito municipal Américo Alves, de notável poder oratório, agradeceu a presença cinquentenária dos Redentoristas.


Tempo de celebrar

Em 75 anos de vida e missão deu-se a expansão da Província. Teve ela de enfrentar momentos penosos. Lembramos as agitações provocadas por uma minoria de confrades alemães que não se conformaram com a separação da Província da Baviera. Lembramos também a grave crise administrativa de 1997/98. Mas aí estão as Províncias de Porto Alegre e de Goiás e o número triplicado de comunidades redentoristas no Estado de São Paulo, atestando a vitalidade da Unidade paulista.

Até o Concílio Vaticano II (1962-64), em sua vida consagrada, comunitária e pastoral, foram tranquilamente tradicionais os sistemas de vida interna, missão e formação. As orientações conciliares levaram a Província a um frutuoso processo de atualização tanto no interior da Província, suas comunidades, procedimentos administrativos e de formação, como em seus procedimentos litúrgicos e pastorais.

:: Redentoristas de São Paulo: a missão antes do Concílio Vaticano II

Citemos a construção da Nova Basílica que criou condições novas de acolhimento evangélico de milhões de peregrinos. Citemos ainda o ITESP, o CERESP, o Seminário São Geraldo, o Propedêutico, o nível acadêmico da filosofia, o Noviciado pós-filosofia, o mergulho nos Meios de Comunicação Social, e, ponto decisivo, os passos das Missões Populares. Vamos celebrar os 75 anos?

Abaixo, as comunidades, pastorais e casas de formação existentes na época da elevação da nova província: 

1. Aparecida, 1894 – paróquia, santuário, editora.

2. Campinas de Goiás, 1894 – paróquia, santuário de Trindade, Pré-Seminário São José.

3. Penha, 1905 – Sede Vice-Provincial, paróquia, santuário.

4. Araraquara, 1920 – igreja de Santa Cruz.

5. Cachoeira do Sul, 1921 – paróquia.

6. Pindamonhangaba, 1928 – Casa do Noviciado.

7. Tietê, 1935 – Estudantado Santa Teresinha, igreja provisória de Santa Teresinha.

8. Pinheiro Marcado, 1937 – Pré-Seminário do Menino Jesus, com projeto em Ijuí, RS.

9. Seminário Santo Afonso, 1898 – fundado o Juvenato; Comunidade Religiosa em 1939.

10. São João da Boa Vista, 1940 – igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.


Leia também: 

125 anos dos Redentoristas em Aparecida


1 Comentário

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Pe. Victor Hugo Lapenta, C.Ss.R. , em Palavra Redentorista

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.