A paciência de Deus não significa indiferença diante do mal. Ela oferece a cada pessoa a oportunidade de reconhecer os próprios erros, mudar de vida e produzir bons frutos. Essa foi a mensagem central da homilia de Dom Mário Antonio da Silva, arcebispo de Aparecida, durante a Santa Missa das 8h deste domingo (19), no Santuário Nacional.
Celebrada no 16º Domingo do Tempo Comum, a Eucaristia foi animada pelo missionário redentorista Irmão Alan Patrick Zucheratto, C.Ss.R., que acolheu os peregrinos e recordou que Jesus continua ensinando sobre o Reino de Deus e revelando a misericórdia do Pai.
A celebração contou com os cantos do Coral Infantojuvenil Psalette* de Santo Ivo, de Florianópolis (SC), e também reuniu religiosos e religiosas de diferentes congregações presentes na Arquidiocese de Aparecida. A ambientação do Altar Central fez referência à Festa do Santíssimo Redentor, titular da Congregação dos Missionários Redentoristas, recordada no terceiro domingo de julho.
*Psalette é um termo de origem francesa associado tradicionalmente a coros ou escolas de canto ligados às igrejas.
Ao comentar a Primeira Leitura, retirada do Livro da Sabedoria, Dom Mário explicou que o poder de Deus não se manifesta pela imposição, mas por meio da clemência, da paciência, do amor e da justiça.
Deus conhece todas as dimensões da vida e da história humana e, mesmo diante das fragilidades, continua oferecendo novas oportunidades aos seus filhos.
“A gente tem paciência, não é? E na segunda-feira? Tem paciência com a gente na segunda-feira também?”, perguntou o arcebispo, convidando os fiéis a viverem uma paciência construtiva e criativa no relacionamento com Deus e com as outras pessoas.
A paciência cristã, portanto, não é passividade. É a capacidade de respeitar os processos, esperar o tempo necessário e acreditar que a conversão continua possível.
A segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Romanos, recordou que o Espírito Santo vem em auxílio da fraqueza humana e intercede pelos fiéis com “gemidos inefáveis”.
Dom Mário explicou que essa expressão não se refere a sons ou manifestações especiais, mas ao movimento profundo de quem procura Deus e, muitas vezes, não encontra palavras para expressar o que sente.
“Deus transforma nossa fragilidade em oração”, afirmou. Segundo o arcebispo, até os limites, as quedas e os pecados podem ser apresentados ao Senhor com confiança em sua misericórdia.
O Espírito Santo age justamente nos momentos de cansaço, derrota ou desânimo, ajudando cada pessoa a retomar o caminho e a permanecer aberta à ação de Deus.








No Evangelho segundo São Mateus, Jesus apresentou as parábolas do trigo e do joio, da semente de mostarda e do fermento na massa. A homilia concentrou-se especialmente na imagem do trigo e do joio crescendo no mesmo campo.
Na parábola, os empregados percebem a presença do joio e desejam arrancá-lo imediatamente. O dono da plantação, porém, pede que esperem, para que o trigo não seja prejudicado.
“O dono da terra não olhava apenas para o joio. Olhava, sobretudo, para o trigo”, destacou Dom Mário. Em seguida, questionou: “Conhece alguém assim? Que só vê defeitos? Que só vê o mal? Que só vê confusão?”
A atitude dos empregados representa o risco de olhar para as pessoas e para a realidade enxergando somente falhas, conflitos e problemas. Deus, ao contrário, não ignora o mal, mas também reconhece as sementes boas que precisam ser protegidas e cultivadas.
Dom Mário recordou que trigo e joio também podem estar presentes no coração de uma mesma pessoa. Por isso, a parábola não deve ser usada para separar os outros entre bons e maus, mas para promover um exame sincero da própria vida.
“Se a gente perceber que é joio, opa! Está na hora da conversão, da mudança, da transformação”, afirmou.
A paciência de Deus abre espaço justamente para essa mudança. O Senhor não abandona aquele que erra, mas oferece tempo, graça e auxílio para que novas escolhas sejam feitas.
O Reino de Deus, explicou o arcebispo, torna-se visível em relações renovadas, marcadas pela fraternidade, pelo amor, pela paciência e pela solidariedade.
Estar no Santuário de Nossa Senhora Aparecida também deve fortalecer a decisão pessoal de ser uma presença que alimenta, acolhe e produz frutos: “Eu quero ser trigo, não joio. Trigo bom!”
Ao final da homilia, Dom Mário convidou os fiéis a rezarem pelas diferentes vocações da Igreja, especialmente pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias.
A presença dos consagrados e consagradas ao redor do Altar Central reforçou esse pedido, no domingo em que os Missionários Redentoristas recordam Jesus Cristo como o Santíssimo Redentor e renovam o compromisso de continuar sua missão de evangelização.
O arcebispo concluiu convidando cada cristão a produzir frutos que possam alimentar a vida das famílias, das comunidades e da sociedade:
“Sejamos nós a lavoura de Deus, uma lavoura de trigo que alimenta a paz, a justiça e o amor.”
Dom Mário Antonio da Silva, Arcebispo Metropolitano de Aparecida
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