Santo Padre

Visitas inesperadas: o que Deus quer ensinar?

Recentemente, o Papa Leão XIV apareceu de surpresa em um almoço em que estavam bispos do Peru, seu antigo destino missionário antes de ser papa.

Escrito por Beatriz Nery

12 FEV 2026 - 13H37

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Visitas inesperadas costumam causar desconforto, porque interrompem planos que já tinham sido feitos e alteram rotinas previamente organizadas. Às vezes, parecem até inconvenientes.

Para os cristãos, porém, a surpresa pode e deveria ter outro significado. A recente presença do Papa Leão XIV em um encontro reservado com bispos do Peru, que estavam em Roma para a Conferência Episcopal Peruana, foi descrita como “um gesto de proximidade e comunhão que reforça a missão pastoral da Igreja no Peru”.

A inesperada aparição do Pontífice tornou o almoço fraterno inesquecível, realizado enquanto os bispos se preparam para a audiência oficial. Ali, o Santo Padre surpreendeu seus grandes amigos de caminhada missionária, pois esteve no Peru por muitos anos.

Esse momento de descontração não era algo programado dentro de sua rotina ocupada como Bispo de Roma. Muitas vezes, o que toca o coração é o que acontece fora do roteiro.

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A lógica do Evangelho é surpreendente

Pela Bíblia, entendemos que os meios de Jesus agir era tudo, menos programado. Seu primeiro milagre foi inesperado, incentivado por Sua Mãe, pois segundo ele, “minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4). Por outro lado, Cristo entrava em casas sem aviso prévio e chamava os homens que se tornariam seus discípulos em plena rotina de trabalho, além de visitar os pecadores quando ninguém esperava.

“Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor” (Mt 24,42). A advertência de Cristo fala de uma postura de prontidão diante das ações.

O encontro com Zaqueu é um bom exemplo de visitas inesperadas: Jesus se convida para a casa dele (cf. Lc 19,5). Para muitos, aquela visita era inadequada, mas para Zaqueu, foi o início da conversão.

Visitas indesejadas também educam

Nem toda surpresa é agradável. Algumas chegam em momentos difíceis, como a casa não estar arrumada, outros problemas estarem acontecendo ao mesmo tempo e, até mesmo, encontrar a casa sem ninguém.

Na história da salvação, Deus costuma agir assim. Ele aparece a Moisés na sarça ardente. Interrompe a vida de Maria com o anúncio do anjo (cf. Lc 1,26-38). Muda os planos de José em sonho (cf. Mt 1,20). A iniciativa parte sempre de Deus.

O Catecismo da Igreja Católica recorda que “a iniciativa do amor de Deus precede sempre o nosso próprio amor” (CIC 2001). Ele visita primeiro e toma a dianteira.

A visita inesperada do Papa também recorda que, no Apocalipse, Cristo afirma: Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,20). Ele se apresenta de modo discreto, mas indo de acordo com o que seu Predecessor, Francisco, fazia: incentivar a cultura do encontro.

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A Igreja e a cultura do encontro

O Concílio Vaticano II ensina que o Papa é o princípio visível de unidade na Igreja (Lumen Gentium, 23). Quando o Sucessor de Pedro se aproxima de seus irmãos peruanos no episcopado, manifesta essa comunhão que relembra vínculos do passado para restaurar os ânimos do presente e do futuro.

Isso vale também para a vida pessoal de cada um. Cristo continua visitando, às vezes, por meio de uma conversa difícil. Outras vezes, por meio de uma crise. Em certas ocasiões, por uma palavra necessária no meio de tanta incerteza.

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Fonte: Vatican News

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