Por Fr. Rimar César Diniz, C.Ss.R. Em Palavra Redentorista Atualizada em 12 DEZ 2019 - 09H40

Advento é tempo de esperança e de alegria

Inserido em seu contexto, marcado por correntes teológicas rigoristas, Santo Afonso soube reconhecer a ‘loucura do amor de Deus’ pelo ser humano e acentuar sua bondade. Na sua prática pastoral e em seus escritos buscou propagar esse modo de ser tão misericordioso de Deus.

A encarnação do Verbo ocupa um lugar muito especial na sua reflexão teológica e espiritual. Ele entende que ela é a prova absoluta do amor do Pai pela condição humana. Mesmo em sua fragilidade, errante diante da própria liberdade, o ser humano não está abandonado por Deus à própria sorte, mas antes, encontra a oportunidade de retornar ao caminho da vida. Para Santo Afonso, o Advento é tempo de esperança e alegria, ocasião de recomeçar com Deus; abrir-se para acolher o Emanuel, Deus conosco.

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Advento é tempo de esperança e alegria, ocasião de recomeçar com Deus.


Em sua obra
“Meditações para todos os dias do ano” no Tomo I, Santo Afonso dedica diversas meditações para cada dia do Advento, seguido pela novena em preparação para o Natal. Para a primeira semana, Afonso propõe reflexões sobre a história errante do ser humano desde o pecado de Adão. Partindo de uma visão antropológica realista, ele destaca o quanto a graça divina é capaz de superar o pecado (cf. Rm 5, 20). Ao citar São Bernardo, Afonso destaca o diálogo entre a justiça e a misericórdia de Deus: “estou perdida – diz a justiça – se Adam não for punido. A misericórdia, ao contrário, replica: Estou eu perdida se o homem não for perdoado”. O amor redentor é para todos; não exclui ninguém. Ele não se impõe, mas se propõe e está sempre disposto a abraçar aquele que decide voltar (cf. Lc 15, 11-32).

Leia MaisSanto Afonso e o Natal O presépio de Santo Afonso Durante a segunda semana Afonso sugere meditar a ‘utilidade das tribulações’ durante a vida. A seu ver, as dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia não advêm de um modo de Deus provar nossa fé. Deus não precisa ‘armar emboscadas’ para saber o quanto nós o amamos; seu amor é gratuito e desinteressado. As tribulações pertencem à dinâmica natural da história humana e são oportunidades para agarrarmos as mãos do Pai, reconhecendo seu amor.

Na sequência e em continuidade com essa meditação, a terceira semana convoca à reflexão sobre a ‘modéstia cristã’. ‘Ser cristão significa tornar-se cristão’; é levar uma vida de discipulado. Ninguém está pronto; é preciso ter a consciência de que somos aprendizes em amar e que devemos sempre começar de novo com Deus, cujo amor não é abstrato, mas concreto, capaz de redimir o ser humano de suas maiores misérias.

A meditação sobre a quarta semana coincide com a novena de Natal. Nela, Santo Afonso ressalta que a redenção acontece desde o início da criação e ganha sua plenitude na encarnação do Verbo. Nesse sentido, o missionário redentorista Pe. Martin Leitgöb, na obra: “Afonso de Ligório – mestre da oração e da misericórdia”, destaca que “Deus não derramou de cima para baixo a abundância de seus dons para a humanidade, mas seu objetivo foi encontrar-se de frente com ela e, com isso, mostrar que seu amor é realmente legítimo e honrado, pois o amor só pode se desenvolver em seu completo significado entre dois parceiros iguais”. O Verbo escolheu livremente ser igual a nós, exceto no pecado. Ele está no meio de nós – Deus conosco – e não acima de nós. Pela encarnação, Deus se faz solidário com o ser humano e com ele firmou uma nova aliança de amor.

:: Afonso de Ligório: Mestre da Oração e da Misericórdia

Apaixonado pelo mistério da redenção, podemos considerar que para Santo Afonso a salvação não é um acontecimento estático, sem nenhuma participação humana. Deus é quem toma a iniciativa; a opção pela encarnação parte de sua vontade. Contudo, a escolha por Deus depende de cada um de nós; das nossas atitudes e do modo como orientamos nossas vontades. No decorrer do tempo litúrgico, sobretudo no do Advento, somos convidados, a partir da leitura atenta dos textos sagrados, a nos tornarmos corresponsáveis no processo de redenção. Ninguém se salva sozinho. Somos interdependentes da história da salvação. Salvamo-nos em comunidade, à medida que aprendemos que ‘a medida do amor é amar sem medida’.

Fr. Rimar César Diniz, C.Ss.R.

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