COROACAO DE NOSSA SENHORA   (Leo Caetano)
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Maio: por que coroar Nossa Senhora?

Escrito por Academia Marial

29 ABR 2021 - 09H25 (Atualizada em 30 ABR 2021 - 17H02)

Chegamos ao mês que, por tradição, é o mês mariano, dedicado à Mãe de Deus e nossa Mãe. A piedade popular tem por costume realizar a coroação de Nossa Senhora ao longo desse mês ou, sobretudo, no seu encerramento, dia 31, quando se recorda, liturgicamente, a Visitação de Maria a Isabel. Dessa forma, as comunidades cristãs, cada qual com sua criatividade, cultura e identidade, expressam o seu carinho e louvor à Virgem Santa, realizando a coroação de alguma imagem de Nossa Senhora. Ainda que os meses de agosto, setembro, outubro e dezembro também contenham um sabor mariano (por ocasião das festas da Assunção, da Natividade, do Rosário, de Nossa Senhora Aparecida e da Imaculada Conceição), maio é, por excelência, o mês mariano para toda a Igreja.

Leo Caetano
Leo Caetano


Em tempos pandêmicos, fica difícil adaptar esse gesto da coroação de Maria a esta realidade tão cheia de restrições necessárias à nossa saúde. De qualquer forma, permanece sempre viva a devoção dos cristãos a Nossa Senhora, seja no lar (a Igreja doméstica) ou nos edifícios sagrados (as capelas, as matrizes, os santuários e as basílicas). Embora estejamos em pleno outono no Brasil, o mês de maio, para a piedade mariana, tem um caráter muito primaveril: vemos flores ornando os nichos de Nossa Senhora, pétalas de rosas formando como que uma chuva e um tapete coloridos durante as homenagens a Maria, ofertas das mais diversas flores realizadas por devotos e pelas crianças vestidas como anjinhos... A flor nos recorda, com tom poético, a pureza de Maria, incomparável criatura, preservada sem a mancha do pecado no Jardim do Senhor, a Donzela mais bela do Paraíso Celestial, como recordam algumas imagens medievais.

Na verdade, em tempos antigos, o mês de maio estava ligado a comemorações pagãs relativas à primavera. A partir da Idade Média, essas comemorações dão lugar a homenagens a Maria, que ganham bastante vigor no período barroco. Ora, em Maria Santíssima, temos a floração da Vida Nova, o Cristo, que nos resgata em seu amor. E os frutos dessa nova floração são aqueles que aderem à sua mensagem libertadora, livres do pecado, da morte, da dor e da injustiça.

Como dissemos, dentre as práticas de devoção e piedade marianas do mês de maio, como o terço, as ladainhas e os ofícios de Nossa Senhora, tem destaque a coroação da Virgem – que possui, inclusive, ritos oficiais nos livros litúrgicos –, como ápice e ponto culminante das manifestações do amor filial do povo Àquela que é sua Mãe.
“Ao encontrar a Trindade, Maria foi abraçada como Filha, Mãe e Esposa que era. E pelo Deus Trino coroada como Rainha dos Céus. Parece, agora, que vemos a cena retratada na imagem goiana do Divino Pai Eterno: a Trindade coroando a bela Cordeira, Maria, com uma coroa de doze estrelas e entregando-lhe o Sol como manto para revesti-la e a Lua como escabelo. (Ap 12,1)”
Os pobres, os excluídos, os enfermos e todos os sofredores identificam-se, assim, com Maria e nela encontram refúgio e forças para a luta, na certeza de que Deus está ao lado dos oprimidos e derruba do trono os poderosos, conforme cantou profeticamente nossa Mãezinha (Lc 1,51).

O mês de Maria começa com a Festa de São José, a quem o Papa Francisco dedicou este ano. Maria amava seu Esposo, o operário carpinteiro José, e com Ele amou, criou e educou o Filho Jesus. Não foram poucos os desafios, desde uma concepção por obra do Espírito e incompreensível pela lógica humana até a morte e ressurreição do Filho Redentor dos Homens.

Maria de Nazaré, modelo de caridade e solicitude, dedicando toda sua vida ao projeto salvífico do Pai, tornou-se discípula e missionária do Filho amado, sem, contudo, perder aquilo de mais belo e único que o Senhor lhe proporcionou: ouvir o próprio Deus feito homem chamá-la de MÃE. Sempre virgem e cheia da graça do Espírito, Maria, um dia, adormeceu no Senhor e foi elevada aos céus pelos anjos, porque o Filho não quis ficar distante da Mãe e desejou que o corpo glorioso dela se unisse ao seu nos altos céus – do mesmo jeitinho que será conosco no final dos tempos.

Quando Maria chegou aos céus, houve uma festa muito grande, anjos fazendo-lhe um cortejo e cobrindo-lhe com pétalas e flores das mais belas e cheirosas.

“Ao encontrar a Trindade, Maria foi abraçada como Filha, Mãe e Esposa que era. E pelo Deus Trino coroada como Rainha dos Céus. Parece, agora, que vemos a cena retratada na imagem goiana do Divino Pai Eterno: a Trindade coroando a bela Cordeira, Maria, com uma coroa de doze estrelas e entregando-lhe o Sol como manto para revesti-la e a Lua como escabelo. (Ap 12,1)” Se houvesse sinos e fogos no céu, certamente teriam ecoado fortemente naquele momento! A festa estava plena: a Senhora, cujo coração fora transpassado por uma espada, tinha agora a cabeça anelada por uma coroa cintilante, sinal de vitória e merecimento. Por isso, coroamos Nossa Senhora, vestimos suas imagens com trajes e atributos da realeza e invocamos Maria como “Rainha” nas orações (“Salve-Rainha”, “Regina Coeli”, “Ave, Rainha do céu” e diversas outras), nas ladainhas e em tantos títulos que lhe foram atribuídos pelo mundo afora (no caso de Aparecida, “Rainha e Padroeira do Brasil”).

E, conforme cantamos naquela música bonita da banda Vida Reluz, “se o Criador te coroou, te coroamos, oh Mãe, NOSSA RAINHA!

Leonardo Caetano de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida 
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